EU TAMBÉM NÃO TE CONDENO

27 fev

EU TAMBÉM NÃO TE CONDENO

(por Ed René Kivits)

 

 

Pode procurar que você não cai achar. Não importa aonde vá,
estou absolutamente convencido que há duas coisas que você nunca vai achar.
Você pode correr o mundo e o tempo, e tenho certeza que jamais conseguirá achar
alguém que não se envergonhe de algo em seu passado. Para qualquer lugar que
você vá, lá estarão elas, as pessoas que gostariam de apagar um momento, uma
fase, uma ato, uma palavra, um mínimo pensamento. Todo mundo tenta disfarçar, e
certamente há aqueles que conseguem viver longos períodos sem  tormento da lembrança. Mas mesmos estes
quando menos esperam são assombrados pela memória da um ato de covardia, um
gesto de pura maldade, um desejo mórbido, um abuso calculado, enfim, algo que
jamais nunca deveriam ter feito, e que na verdade, gostariam de banir de suas
histórias ou, pelo menos de suas recordações.

 

Isso é uma péssima notícia para a humanidade, mas uma ótima
notícia para você: você não está sozinho, você não está sozinha. Inclusive as
pessoas que olham em sua direção com aquela empáfia moral e sugerem cinicamente
que você é um ser humano de segunda ou terceira categoria, carregam uma página
borrada em sua biografia, grampeada pela sua arrogância, e selada pelo medo do escândalo,
da rejeição e da condenação no tribunal onde a justiça jamais é vencida. Você
não está sozinho. Você não está sozinha. Não importa o que tenha feito ou
deixado de fazer, e do que se arrependa no seu passado, saiba que isto faz de
você uma pessoa igual todas as outras: a condição humana implica a necessidade
da vergonha.

 

A segunda coisa que você nunca vai achar é um pecado
original, não tenha dúvidas, o mal que você fez ou deixou de fazer está
presente em milhares e milhares de sagas pessoais. Não existe algo que você tenha
feito ou deixado de fazer que faça de você uma pessoa singular nos bancos dos
réus – ao seu lado estão incontáveis réus respondendo pelo mesmíssimo crime.
Talvez você diga “é verdade, todos tem do que se envergonhar, mas o que eu fiz
não se compara ao que qualquer outra pessoa possa ter feito”. Engano seu. O que
você fez ou deixou de fazer não apenas se compara como também é replicado com
absoluta exatidão na experiência de milhares e milhares de outras pessoas. Isso
significa que você jamais sozinho, jamais estará sozinha, na fila da confissão.

 

Talvez por estas razões a Bíblia sagrada diz que devemos
confessar nossas culpas uns aos outros: os humanos não nos irmanamos nas
virtudes, mas na vergonha. Este é o caminho de saída do labirinto da culpa e da
condenação: quando todos sussurrarmos uns aos outros “eu não te condeno”,
ouviremos do justo juiz: “ninguém te condenou? Eu também não te condeno”.

 

É isso, ou o jogo bruto de sermos julgados com a medida com
que julgamos. A justiça do único justo reveste os que têm do que se envergonhar
quando os que tem do que se envergonhar desistem de ser justos.

 

Extraído do blog http://www.outraespiritualidade.blogspot.com/
de Ed René Kivits.

Digitado por AndersonMineiro70.

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