Arquivo | março, 2010

COMO ZAQUEL…SUBIR OU DESCER? O EQUÍVOCO DE RÉGIS DANESE!

20 mar

REGIS
DANESE NÃO ENTENDEU A MENSAGEM DE ZAQUEU


A
música do Regis Danese “faz um milagre em mim”, foi vendida e cantada
por milhões de fiéis em todas as igrejas brasileira, independente da
‘marca’. A idéia do compositor era contar a história de Zaqueu (Lucas
19). Alguns irmãos me perguntaram o que achava desta música, respondi
que era bonita, fácil de cantar, mas sua letra não condizia com o texto
na qual o compositor havia proposto a cantar. E foi aí que vieram as
perguntas, e não querendo escandalizar os ‘levitas’ desviei delas, até
que agora decidi abrir a boca.
Eu não ouço música evangélica, só
porque é evangélica. Eu ouço qualquer música, desde que tenha qualidade.
Sou eclético. Mundano para alguns. Mas a verdade é que, se queremos com
uma música refletir em um texto bíblico, sendo esta música um sermão,
embora cantado é uma mensagem, ela precisa ser ao menos coerente com o
texto que a inspirou. Faço aqui algumas observações na música do Regis, é
minha opinião, e não fecho a questão, ela está aberta a discussões e a
outras opiniões. Vejamos:
“Como Zaqueu eu quero subir,
O mais alto
que eu puder.
Só pra te ver, olhar para Ti,
E chamar sua atenção
para mim,”
O Regis começa pecando na letra quando ele interpreta o
motivo que levou Zaqueu a subir naquela árvore. Zaqueu não subiu na
árvore para chamar a atenção de Jesus. Ele subiu na árvore devido a sua
“pequena estatura”. (v. 3)
O meu problema com a música do Regis é
porque ele coloca a salvação de Zaqueu depender de sua atitude, tipo:
subir na árvore para chamar a atenção. E este é o entendimento do Regis.
Ele começa afirmando que vai subir “o mais alto que eu puder”. Em
outras palavras, vou me esforçar no máximo. E porque tanto esforço? Ver
Jesus, e chamar a atenção de Jesus. Isso é tipicamente religioso, mas
não é bíblico, nem condiz com o pensamento dos Evangelhos.
A religião
vive nos fazendo subir em árvores. Uma volta ao primitivismo da
evolução (quem sabe?). Ela vive nos colocando no picadeiro de um grande
circo, chamado igreja, onde ficamos fazendo todo tipo de espetáculo para
ver se Cristo, olha para nós. É cada um se esforçando no que pode. Cada
um querendo ver se atrai os olhos complacentes de Cristo. Pura ilusão.
Idiotice da religião e seus gurus.
Se Cristo tivesse achado fenomenal
o fato de Zaqueu estar em cima da árvore ele não teria dito: “desce
depressa” (v. 5). E se Zaqueu tivesse subido na árvore com o propósito
de fazer os olhos do Todo-poderoso se dirigir a ele, não teria apressado
em descer (v. 6). Se Zaqueu tivesse pensado como Regis e sua legião,
teria tido: “Não, Senhor, não posso descer, minha idéia funcionou, eu
consegui mover teu olhar, eu sei mover teus olhos, o segredo é subir bem
alto, ‘o mais alto que eu puder’”.
Mas a Bíblia diz que Zaqueu
desceu depressa, e não desceu porque tinha conseguido atrair o olhar de
Cristo, desceu porque foi chamado por Cristo. Mas se Cristo olhou para
Zaqueu não foi pela posição privilegiada dele em relação a multidão. É
que Cristo viu em Zaqueu um pecador dependente de salvação e ele não
estava passando por ali por acaso. Ele tinha um propósito salvador para
Zaqueu. O pecador intimado pela voz irresistível do Espírito Santo,
jamais fica na posição em que sua idéia adâmica o impeliu, ele desce e
compreende que é aqui no chão, aos pés do mestre que Cristo faz a
mudança tão significativa na vida dele.
Zaqueu subiu sim na árvore,
porque era de pequena estatura. Mas Zaqueu não convidou Cristo para
entrar em sua casa. O texto disse que foi Cristo que se ofereceu a
entrar na casa de Zaqueu: “hoje me convêm pousar em tua casa” (v.5). E
Zaqueu “desceu e o recebeu alegremente” (v.6).
Irmãos, todo a mudança
na vida de Zaqueu foi ocasionada pelo “DESCER” e não pelo “SUBIR”.
Toda
mudança na vida de Zaqueu foi provocada pela iniciativa de Cristo em
querer entrar na casa de Zaqueu. Cristo se ofereceu primeiro. Cristo
quis salvar Zaqueu.
Zaqueu só tomou iniciativa baseado em sua vida
natural. Ouviu falar de Jesus, ficou curioso, não se atreveu a romper a
multidão, não arriscou perdê-lo de vista, subiu na árvore impelido pela
sua pequena estatura. Tudo isso é do homem natural. Ele usa recursos
naturais para ver se de algum modo atrai o olhar da divindade. É uma
tentativa. Apenas isso e nada mais.
Zaqueu só foi transformado
porque Cristo mandou ele descer e decidiu entrar em sua vida e em sua
casa. Sem o ‘me convêm’ de Cristo, você pode esforçar e subir até aonde
você agüentar, nada vai mudar, milagre não virá. Mas quando a doce e
poderoso voz de Cristo for dirigida a você dizendo “desça”, você descerá
e receberá com alegria aquele que virá trazer salvação em tua casa.
A
música do Regis é bonita e fácil de cantar, mas infelizmente, ele não
entendeu a mensagem de Zaqueu para nos hoje. E o “descer” e não o
“subir” que está evidenciado no texto. A vida de Zaqueu está dividida em
“subir” e “descer”. Enquanto Zaqueu subiu ele continuou o mesmo homem,
mas depois que ele desceu sua vida foi mudada, houve um mexer de
estrutura, houve o milagre da transformação.
Regis, que tal cantarmos
“como zaqueu quero descer”?
extraido do blog conversa teológica Pr Pedro Rocha 

“DECRETUM HORRIBILE” como explicar a preterição.(Pr. Pedro Rocha)

15 mar

A
LÓGICA DA PRETERIÇÃO: COMO EXPLICAR O “DECRETUM HORRIBILE”

A doutrina da preterição ou simplesmente reprovação
é uma doutrina bastante desagradável para o sentimentalismo humano. Nem
todos os que aceitam a doutrina da eleição, se acham à vontade quando o
assunto é a reprovação, ou preterição. Mesmo Calvino, estava consciente
da profundidade desta doutrina. E chegou a chamá-la de “Decretum
horribile”. Mas a dificuldade desta doutrina não pesa somente sobre os
calvinistas, mas sobre todas as escolas teológicas. Apesar das
dificuldades em aceitação desta doutrina e dos muitos adversários que se
tem levantado contra ela no decorrer dos séculos, ela está lá e
permanece palmilhada nas páginas das Escrituras. A doutrina da
reprovação é uma conseqüência lógica da doutrina da eleição. Ao, se Deus
não escolheu todos, logo alguém foi rejeitado ou reprovado. Mas tudo
depende de como se encara e se argumenta sobre o assunto.

1.
Nossa dificuldade de compreensão do pecado: O pecado é um fato
incontestável. Todo aceitou isso, porém temos dificuldades de
compreender o mal ou a permissão de Deus para o pecado no gênero humano.

2.
Deus odeia o pecado e sua justiça exige que os pecadores sejam punidos:
Ninguém que conhece a Bíblia, nega tal verdade; Deus tem o direito de
punir os transgressores da sua lei, e podia condenar todos, uma vez que
todos pecaram, sem com isso ser taxado de um Deus injusto.

3. Uma
pergunta que merece uma resposta: Deus foi injusto em reprovar os
transgressores de sua santa vontade? Ora, se admitimos que Deus fosse
justo à condenação dos pecadores, temos que admitir que Deus também
fosse justo ao condenar os não eleitos, que são pecadores.

4. Os
arminianos não têm dificuldade em aceitar a reprovação, ou rejeição dos
anjos caídos, para os quais Deus não fez nenhuma provisão ( 2 Pd 2.4).
Vemos que alguns não têm repugnância à reprovação destes anjos e até
glorificam a Deus, mas quanto aos homens, (que também não caíram por
culpa de Deus, mas de um ato voluntário de sua vontade, portanto
merecedor é do castigo de Deus), somos relutantes em aceitar esta
doutrina na vida destes homens.

5. A reprovação é um ato negativo
de Deus: Diferentemente da eleição, que é um ato positivo de Deus, pelo
qual ele escolhe, do meio da massa perdida do gênero humano, certo
número de pessoas para a salvação; a reprovação é um ato negativo de
Deus, pelo qual ele deixa que o resto da humanidade, em seus pecados
sofra as conseqüências de sua desobediência. Neste caso “os eleitos são
monumentos da graça. Os não eleitos serão uma revelação de sua justiça”.

6.
Prova da doutrina da reprovação: Todos os argumentos que provam a
eleição provam igualmente a reprovação, como já mencionamos a reprovação
é a conseqüência lógica da eleição. Vejamos:

1. A
regeneração é um ato soberano e poderoso de Deus. Somente Deus pode
regenerar. Se ele não regenera a todos, claro que não é seu propósito
fazê-lo, logo ele decidiu não eleger todos. Neste caso houve reprovação
de alguns.

2. Nem todos vão a Cristo. E sabemos pelas
palavras do próprio Cristo que “ninguém pode vir a mim se o Pai que me
enviou não o trouxer” (Jo 6.44). Se todos não vem a Cristo é porque ele
não leva todos a ir a Cristo. Logo alguém está reprovado aqui.

3.
A fé é uma dádiva de Deus, se todos os homens não a recebem, é
claro que Deus decidiu não conceder a todos. Jesus falava aos judeus que
o rejeitavam: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.”
(Jo 10.26). E quem são suas ovelhas? A resposta está em Jo 10.29,
aqueles que o Pai lhe deu.

4. Deus deu a Cristo um povo
especial, a quem ele escolheu “do mundo”. E estes e ninguém mais são
objetos da sua oração intercessora em João 17.9: “Eu rogo por eles; não
rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus”.
Sendo assim é claro que o resto do mundo não foi contemplado, não foi
dado a Cristo. Neste caso temos a reprovação do restante.

5. O
caso dos cidadãos de Tiro, Sidom e Sodoma em Mateus 11.21-24: “Ai de
ti, Corazin! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom, se
tivessem operado os milagres que em vós se operaram, há muito elas se
teriam arrependido em cilício e em cinza. Contudo, eu vos digo que para
Tiro e Sidom haverá menos rigor, no dia do juízo, do que para vós. E tu,
Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? até o inferno descerás;
porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se
operaram, teria ela permanecido até hoje. Contudo, eu vos digo que no
dia do juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti.”
Apesar de Deus prever o arrependimento destas pessoas, não lhes deu uma
oportunidade de se arrependerem. Isso prova duas coisas: Primeiro que
arrependimento previsto não serve de base para Deus eleger ninguém.
Segundo se Deus não lhes deu uma oportunidade de ver os milagres de
Cristo para que eles se arrependessem, segue-se que foram rejeitadas,
não foram contempladas. Há injustiça em Deus por condenar o povo
corrupto de Sodoma? Certamente que não.

6. Existem dois
grupos de pessoas da qual a Bíblia fala com respeito a nomes arrolados
no livro da vida. A primeira diz respeito aos eleitos, assim lemos as
seguintes passagens das Escrituras:

“Contudo, não vos alegreis
porque se vos submetem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os
vossos nomes escritos nos céus.” (Lc 10.20)

“E peço também a ti,
meu verdadeiro companheiro, que as ajudes, porque trabalharam comigo no
evangelho, e com Clemente, e com os outros meus cooperadores, cujos
nomes estão no livro da vida.” (Fp 4.3)

No segundo grupo a Bíblia
fala daqueles “cujos nomes não foram escritos no livro da vida do
Cordeiro” (Ap 13.8)

7. Inúmeras referências nas Escrituras
descrevem a decisão divina a respeito dos não eleitos, a qual passo a
demonstrar a baixo.

“E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a
terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi
morto desde a fundação do mundo.” (Ap 13.8)
· “E que direis,
se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder,
suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a
perdição”. (Rm 9.22)

“Porque se introduziram furtivamente certos
homens, que já desde há muito estavam destinados para este juízo, homens
ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o
nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.” (Jd v.4)

“E: Como
uma pedra de tropeço e rocha de escândalo; porque tropeçam na palavra,
sendo desobedientes; para o que também foram destinados. (1 Pd 2.8)

“Pois
quê? O que Israel busca isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram;
e os outros foram endurecidos”. (Rm 11.7). Observe a conclusão clara do
apóstolo. Há dois grupos aqui, “os eleitos”, e “os outros”. Também há
aqui dois resultados: os eleitos “alcançaram”. Os outros foram
“endurecidos”. Isso é reprovação.

8. Quando Paulo pregou em
Filipos para um grupo de mulheres, somente Lídia se converteu. E a
Bíblia diz por que Lídia se converteu. Atos 16.14: “E certa mulher
chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que temia a
Deus, nos escutava e o Senhor lhe abriu o coração para atender às
coisas que Paulo dizia”. Todas as mulheres ouviram a chamada geral do
Evangelho, mas somente Lídia recebeu a chamada eficaz. É o mesmo caso de
Atos 13.48: “Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a
palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a
vida eterna.” Ora, se é Deus quem abre o coração para entender à
Palavra, se crê os que são destinados para a vida eterna, e ele não
fazem isso com todos, logo se segue que há uma reprovação de certo grupo
de pessoas, mesmo elas ouvindo o evangelho, pela chamada geral. Isso
confirma as palavras de Jesus: “Porque muitos são chamados, mas poucos
escolhidos” (Mt 22.14).

9. A Bíblia dá testemunho de pessoas
cujos corações Deus endureceram: Um exemplo clássico deste endurecimento
de coração é Faraó. Vejamos o que a Bíblia nos informa sobre este caso.

9.1.
O endurecimento de Faraó:
Ø “Eu, porém, endurecerei o coração
de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas
maravilhas.” (Ex 7.3)
Neste texto temos uma afirmação de Deus, que
ele endureceu o coração de Faraó. Mas isso não quer dizer que Deus foi à
causa eficiente do endurecimento do coração dele, mas que Deus o
entregou à perversão de seu próprio coração. Pois lemos em Êxodo 8.15:
“Mas vendo Faraó que havia descanso, endureceu o seu coração, e não os
ouviu como o Senhor tinha dito.” O endurecimento do coração de Faraó foi
um ato de misericórdia de Deus. Cada vez que vinha uma praga, ele
confessava “pequei” (Ex 9.27). Mas tão logo a praga era retirada, Faraó
endurecia o coração. Deus poderia e somente Ele poderia abrandar aquele
coração, mas Deus não fez. Ele recusou conceder-lhe sua graça
regeneradora, e Deus tinha todo direito de proceder assim. Primeiro
porque Faraó antes da intervenção miraculosa de Deus no Egito, ele já
era um pecador, portanto merecedor da ira de Deus. Segundo, porque graça
é favor imerecido, ninguém merece, ou fez por merecer. É favor de Deus e
Ele a dá a quem quiser. “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de
Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me
aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter
compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre,
mas de Deus que usa de misericórdia.”. (Rm 9.14-16)

9.2. Os
filhos de Eli: “Todavia eles não ouviram a voz de seu pai, porque o
Senhor os queria destruir.” (1 Sm 2.25). A atitude de Deus foi de todo
negativa para eles. Deus decidiu não secundar o conselho do pai com a
operação eficaz de sua graça, e o fez com um fim determinado: “os queria
destruir”.

9.3. O caso dos gentios de Romanos 1.28: “E assim
como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os
entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm.”
Alguém poderia objetar dizendo que foram entregues porque antes
assumiram uma decisão de rejeitar. Não. Eles rejeitaram porque são
pecadores. Quem na face da terra não rejeitou ou ainda rejeita o
conhecimento de Deus? Somente aqueles que já foram agraciados com a
graça regeneradora, ou seja, os eleitos.

“Em todos os reprovados
há uma cegueira e endurecimento pertinaz de coração. E quando de alguns
deles, como Faraó, se diz que Deus os endureceu, podemos ficar certos
que em si mesmos já são dignos de ser entregues a Satanás. Os corações
dos ímpios nunca, naturalmente, são endurecidos por influência direta de
Deus, – Ele simplesmente permite que alguns cedam aos maus impulsos já
existentes em seus corações, de modo que, como resultado da própria
escolha deles, torna-se cada vez mais calejados e obstinados”.

10.
Justiça da Reprovação: A primeira impressão que temos da doutrina da
reprovação é há nela injustiça. Todos perguntam: “Se Deus escolheu uma
parte e deixou o restante a perecer, porque ele não escolheu todos?”
Suas imediatas conclusões são: “Ele foi injusto para com aqueles que não
escolheram”. Paulo refuta esta objeção em sua doutrina da reprovação
com as palavras abaixo: “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de
Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me
aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter
compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre,
mas de Deus que usa de misericórdia.”. (Rm 9.14-16)

1). Como a
Bíblia apresenta a humanidade: Toda esta doutrina repousa sobre o
princípio da precedente doutrina do pecado original e da total
incapacidade. Sustentamos o seguinte:

1. Que Deus criou o
homem originalmente à sua própria imagem e semelhança, em conhecimento,
retidão e santidade, imortais e investidos do domínio sobre as
criaturas, dotado de perfeita liberdade da vontade, possuindo
espontaneidade e capacidade de autodeterminação, com poder de escolher o
bem e o mal, e de assim determinar seu próprio caráter;
2. Adão
pecou voluntariamente, sob a tentação do Diabo, e assim caiu do estado
em que fora criado;
3. Que a conseqüência deste pecado sobre
Adão foi à corrupção de toda a sua natureza, de sorte que ele tornou-se
espiritualmente morto, e por isso mesmo indisposto, incapacitado e
oposto a todo o bem espiritual. Além desta morte ele se fez mortal e
passível de todas as misérias desta vida e da morte eterna;
4.
Devido à união entre Adão e seus descendentes, as mesmas conseqüências
de sua transgressão lhes sobrevieram;
5. Tal inerente e
hereditária depravação são verdadeira e propriamente da natureza do
pecado;
6. Que a regeneração, ou a vocação eficaz, é uma ação
supranatural do Espírito Santo, no qual a alma é o sujeito e não o
agente; que é soberana, concedida ou retida segundo o beneplácito de
Deus, fazendo assim a salvação ser um dom gratuito de Deus.

Paulo
nos faz silenciar diante de nossa culpa: “Que se cale toda boca, e todo
o mundo seja culpável perante Deus” (Rm 3.19).

2). A eleição
e a reprovação procedem de fundamentos diferentes: A primeira procede
da graça de Deus, a segunda, do pecado do homem. O fato de Deus escolher
salvar alguém independentemente de seu caráter e demérito, não
significa que ele escolhe condenar pessoas a despeito do caráter ou
merecimentos delas. A base da eleição é a graça. A base da reprovação é o
pecado. Agostinho faz o seguinte comentário sobre este assunto: “A
condenação cabe aos ímpios por uma questão de dívida, justiça, e
merecimento, ao passo que a graça, concedida aos que são libertos, é
livre e não merecida, de modo que o pecador condenado não pode alegar
que não merece esse castigo, nem o piedoso pode gabar-se ou
vangloriar-se, como se fora digno de sua recompensa.”

11. A
razão da Reprovação: Paulo, terminando sua exposição sobre este assunto
exclamou: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da
ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão
inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do
Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele,
para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são
todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.33-36).
Isso significa que Deus não nos dá a conhecer as razões pelas quais
decidiu reprovar uma parte do gênero humano, não a contemplando, para
que pereça em seus pecados. Sabemos que ele escolheu uns e reprovaram
outros. Ele deve ter tido boa e justa razão que não revelou, mas que um
dia compreenderemos. Mas pelo pouco que conhecemos de Deus, podemos ter
uma vaga idéia da razão pela qual existem estas duas doutrinas: a
eleição e a reprovação. A primeira pode ser para dar a conhecer da sua
misericórdia, a segunda, para dar a conhecer da sua justiça. Se todos os
membros da raça humana se salvassem, não saberíamos apreciar o valor de
nossa salvação. Pois não haveria um contraste para medí-la. Pelo
contraste de nossa glória e bem-aventurança com a vergonha e a
condenação dos perdidos, compreendemos melhor a grandeza da nossa
salvação. Além disso, no julgamento dos condenados veremos a santidade e
a justiça de Deus. E a condenação deles redundará no louvor da justiça
de Deus, enquanto que a salvação dos eleitos resultará no louvor de sua
graça.

PREDESTINAÇÃO, A ELEIÇÃO!(Por Pr. Pedro Rocha)

13 mar

ELEIÇÃO:
O LADO POSITIVO DA PREDESTINAÇÃO

1. ELEIÇÃO: “A Eleição se refere ao decreto divino
de escolher, dentre a humanidade condenada, certos indivíduos para serem
beneficiários do Dom gratuito da salvação. Deus fez isso sem referência
aos méritos, ao estado da vontade, ou a fé prevista dos eleitos.” (3)

1.1.A
importância da Eleição: A Eleição é como uma luz que ilumina o
significado da palavra "graça". Sem ela, a graça é entendida como a
recompensa por alguma atividade ou disposição humana, e não como a causa
desta disposição. Se a definição correta da palavra "graça" é "um favor
imerecido", então a graça tem que ser independente de qualquer
atividade humana. No momento em que aceitamos este conceito, entendemos
porque a graça e a eleição são inseparáveis. Não é lógico proclamar a
doutrina da salvação pela graça enquanto negamos que a Eleição o seja.
Paulo expressou esta unidade com estas palavras: "Assim pois também
agora, no tempo de hoje sobrevive um remanescente segundo a eleição da
graça.”(Rm 11:5)1.2. A Bíblia fala de diferentes tipos de eleição:
Vejamos alguns:

1. Eleição para serviço ou testemunho: Deus elege
certas pessoas ou nação, como no caso de Israel, para serem suas
testemunhas diante dos homens dando a eles oportunidade de conhecer ao
Senhor e serem nele abençoados. No caso de Abraão e sua posteridade há
pelo menos três razões desta escolha : 1).Manter acessa uma luz de
conhecimento do verdadeiro Deus no mundo. Se não fora Israel este
conhecimento teria desaparecido da terra. (2).Deus queria se revelar ao
mundo por meio de Israel. Este povo foi o depositário dos “oráculos de
Deus” (Rm 3.1,2). (3).Deus quis por meio deles enviar o Salvador ao
mundo. “A salvação vem dos judeus”, disse Jesus (Jo 4.22).

2.
Eleição de nações e comunidades para o conhecimento e para os
privilégios do Evangelho: Este tipo de eleição tem sido chamado de
“Eleição Nacional”. Tal eleição pode ser exemplificada na nação judaica,
no passado, e em certas nações européias, assim como na América, na era
cristã. É inegável que Deus concedeu privilégios a Israel, que não
concedeu a nenhuma outra nação no passado, bem como é inegável que Deus,
durante a era Cristã tem, dado oportunidades a certas nações que
recusou a outras. Quando o Espírito Santo impediu Paulo de anunciar o
evangelho na Ásia e teve a visão de um homem da Europa, uma parte do
mundo foi soberanamente excluída do anúncio do evangelho, e outra parte
soberanamente foi dada os privilégios do evangelho (At 16.6-10). Samuel
Falcão em seu livro “Predestinação”, citando o Dr. Boettner, escreve:
“A disparidade relativamente aos privilégios espirituais nas diferentes
nações só se deve atribuir ao beneplácito de Deus”(4).

3.
Eleição para serviço no sentido mais geral: Há certas pessoas a quem
Deus dá talentos especiais e coloca em posições de grandes
responsabilidade. Por exemplo, os magistrados (Rm 13.1-7), de acordo com
Paulo eles são eleitos por Deus para exercerem autoridade no interesse
coletivo. Deus tem um plano para cada ser humano e de acordo com este
plano ele dá talentos especiais ou inclinações, que os capacitam para
sua vocação especial. Todavia ninguém pode reclamar com Deus, como
escreve Paulo: “Quem és tu ó homem ,para discutires com Deus? Porventura
pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?” (Rm
9.20).

4. Eleição para a Salvação: Esta é a mais importante de
todas. Ela é ensinada tanto no Velho como no Novo Testamento. Neste caso
pode-se dizer que a eleição é o propósito de Deus, de salvar certos
membros da raça humana, em Jesus Cristo e por meio de Jesus Cristo.

1.3.
As características da Eleição:

1. É uma expressão da vontade
soberana de Deus, do beneplácito divino: Isso exclui a idéia de que a
eleição é determinada por alguma coisa existente no homem, como a fé ou
as boas obras previstas.

· “(pois não tendo os gêmeos
ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de
Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas
por aquele que chama.” (Rm 9.11)

2. É imutável e, portanto torna
segura e certa a salvação dos eleitos: Pela obra salvadora em Jesus
Cristo, Deus executa o decreto da eleição com a sua própria eficiência.
Como é de seu propósito que certos indivíduos creiam e perseveram até o
fim, Deus mesmo assegura este resultado pela obra objetiva de Cristo e
pelas operações subjetivas do Espírito Santo.

· “Porque
os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos
irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a
estes também justificou; e aos que justificou, a estes também
glorificou.” (Rm 8.29,30)

· “Todavia o firme fundamento
de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os seus, e:
Aparte-se da injustiça todo aquele que profere o nome do Senhor.” ( 2 Tm
2.19)

3. É eterna: “Assim como nos escolheu nele antes da
fundação do mundo” (Ef 1.4).Outras referências tais como Mt 25.34; Rm
8.29; Ef 1.5,9;2 Tm 1.9; Ap 13.8, ensinam explicitamente que a eleição
não ocorre no tempo, mas na eternidade. A eleição jamais deve ser
identificada com alguma seleção temporal, mas, antes, deve ser
considerada eterna.

4. A eleição é incondicional: O ponto de
vista que a eleição teve lugar na eternidade, mas que foi tendo em vista
o arrependimento previsto e fé carece de apoio das Escrituras. De
acordo com este ponto de vista, Deus, na eternidade, olhou através dos
séculos e viu quem ia se arrepender e crer, e estes que Ele viu de
antemão foram eleitos para a salvação. Este ponto de vista está correto
só em um ponto, que é: a eleição teve lugar na eternidade. Mas está
errado quando faz a base da eleição ser algo no pecador, em vez de
alguma coisa em Deus. Leia Efésios 1:4-6, onde diz que a eleição e
predestinação são "segundo o beneplácito de Sua vontade" e "para louvor e
glória de Sua graça". Desde que os homens são todos pecadores e
perderam o direito às bênçãos de Deus, não há base para esta distinção
neles. Tanto a fé como as boas obras na vida do crente, são frutos da
graça de Deus. Leiamos a Bíblia:

· “(pois não tendo os
gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o
propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa
das obras, mas por aquele que chama.” (Rm 9.11)

· “Os
gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e
creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.” (At
13.48)

1. É irresistível: Sobre este ponto fica mais claro
falar sobre o que não estamos dizendo. A eleição é irresistível em que
sentido ?
1. Não significa que o homem não possa opor-se à sua
execução até certo ponto. Os que se dizem salvos hoje, não aceitaram o
Evangelho no primeiro apelo que lhe fizeram, resistiram por um certo
ponto.
2. Não significa que Deus na execução de seu decreto,
subjuga a vontade humana de tal modo que este indivíduo não saiba da
decisão que está tomando. Os salvos resistiram até certo ponto, mas
houve um momento em que sentiram como Daniel, “tocados pela mão de
Deus”.
3. Significa sim que por mais que o homem resista, sua
oposição não prevalecerá contra o propósito de Deus.
4. Também
significa, que Deus exerce e exercerá tal influência sobre o espírito
humano, que o levará a querer o que Deus quer. Isso está de acordo com
as Escrituras a abaixo.
· “O teu povo apresentar-se-á
voluntariamente no dia do teu poder, em trajes santos; como vindo do
próprio seio da alva, será o orvalho da tua mocidade.” (Sl 110.3)

·
“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o
efetuar, segundo a sua boa vontade”.(Fp 2.13)

6. A eleição não
merece a acusação de injustiça: Esta é uma das objeções mais comum nesta
doutrina. Mas o fato de Deus escolher alguns e os demais são deixados
em seu pecado, agindo para sua própria e justa condenação, não pode
pesar a culpa de injustiça por parte de Deus. Só podemos falar de
injustiça quando uma parte pode reivindicar algo de outra. O pecador não
tem direito a salvação e ao perdão de Deus. Ao pecar ele perdeu o
direito às bênçãos de Deus. Como o homem não tem direito a salvação, mas
a morte, Deus não tem a obrigação de salvar este homem. Logo o que este
homem pode exigir de Deus? Nada. Se Deus devesse salvação e perdão a
este homem, seria injustiça Deus salvar apenas alguns. Portanto salvação
não é questão de justiça, mas de misericórdia. Pelo menos é isso que
Paulo entendia. Veja:
“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de
Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me
aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter
compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre,
mas de Deus que usa de misericórdia.”. (Rm 9.14-16)

1.4. O
propósito da eleição: Existe um duplo propósito na eleição. Sendo:
1.
O propósito próximo é a salvação dos eleitos: A Bíblia ensina que o
homem é escolhido, ou eleito para a salvação.
Ø “Pois quê? O
que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram; e os
outros foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu um espírito
entorpecido, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até o dia
de hoje. E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, e
em tropeço, e em retribuição; escureçam-se-lhes os olhos para não
verem, e tu encurva-lhes sempre as costas. Logo, pergunto: Porventura
tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu
tropeço veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação.”(Rm
11.6-11)

Ø “Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por
vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o
princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade.” (2 Ts
2.13)

2. O objetivo final é a glória de Deus: Tudo o que Deus
faz, ele o faz para a sua glória.

Ø “Bendito seja o Deus e
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as
bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos
elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos
filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito
de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu
gratuitamente no Amado.” (Ef 1.3-6)

Fica evidente que o eleito, é
eleito para a salvação e esta salvação resulta na glória de Deus. 

extraído do blog conversa teologóca

PREDESTINAÇÃO, O AUTOR (por Pr. Pedro Rocha)

8 mar

O
AUTOR E OS OBJETOS DA PREDESTINAÇÃO

1. Autor: O decreto da predestinação é “um ato concomitante das três
pessoas da Trindade, que são uma só em seu conselho e sua vontade. Mas
na economia da salvação, como nos é revelada na Escritura, o ato
soberano de predestinação é atribuído mais particularmente ao Pai”.(1)
Observe os textos a baixo:

Ø “ Manifestei o teu nome aos
homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu mos deste; e guardaram a
tua palavra…Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que
me tens dado, porque são teus”. (Jo 17.6,9)

Ø “Porque os
que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem
de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.
(Rm 8.29)

Ø “(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem
tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a
eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que
chama),.. foi-lhe dito: O maior servirá o menor… Como está escrito:
Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.” (Rm 9.11-13)

Ø “Como
também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor”. (Ef 1.4)

Ø “E nos
predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si
mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade…nele, digo, no qual também
fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito
daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade.” (Ef
1.5,11)

Ø “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na
santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de
Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.” (1 Pd 1.2)

2.
Os objetos: O decreto da predestinação inclui todas as criaturas
racionais. Sendo: Todos os homens, bons e maus; Os anjos, bons e maus e
Cristo como Mediador. Vamos analisar por parte:

2.1. Todos os
homens, bons e maus: Esta predestinação nos é ensinada nas Escrituras,
não apenas como grupos, mas também como indivíduos. Os textos a baixos
nos leva a esta conclusão. ( At 4.28; Rm 8.29,30: 9.11-13: Ef 1.5,11)

2.2.
Todos os anjos, bons e maus: Temos menção na Bíblia de anjos santos (Mc
8.38; Lc 9.26), de anjos ímpios, que não conservaram o seu estado
original (2 Pd 2.4: Jd 6), mas também faz menção de anjos eleitos em 1
Tm 5.21: “Conjuro-te diante de Deus, e de Cristo Jesus, e dos anjos
eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo com
parcialidade.” Como podemos conceber a predestinação dos anjos ? Os
Batistas deste 1689 já criam na predestinação tanto dos homens, quanto
dos anjos. Na Confissão Batista de Londres lemos: “Pelo decreto, e para
manifestação da glória de Deus, alguns homens e alguns anjos são
predestinados (ou preordenados) para a vida eterna através de Jesus
Cristo,7 para louvor da sua graça gloriosa.8 Os demais são deixados em
seu pecado, agindo para sua própria e justa condenação; e isto para
louvor da justiça gloriosa de Deus. Os anjos e homens predestinados (ou
preordenados) estão designados de forma particular e imutável, e o seu
número é tão certo e definido que não pode ser aumentado ou diminuído.”
(2)
A). O que vem significar esta predestinação dos anjos ?
1.
Para alguns, significa simplesmente que Deus determinou de modo geral
que os anjos que permanecessem santos seriam confirmados num estado de
bem-aventurança, ao passo que os demais estariam perdidos. Tal idéia não
harmoniza com a visão bíblica da predestinação.
2. A verdade é
que Deus, decretou dar a um certo número de anjos, uma grande capacidade
para permanecerem santos, uma graça especial da perseverança; e privar
desta graça os demais.

B). A diferença da predestinação dos
homens e dos anjos: Quanto a predestinação dos homens, Deus escolheu
certo números de homens dentre a multidão dos caídos. Enquanto que na
predestinação dos anjos, Deus não esperou a queda deles para depois
escolher os eleitos. Também os homens foram eleitos ou predestinados
tendo Cristo como Mediador, ao passo que os anjos foram eleitos ou
predestinados tendo Cristo como Chefe, isto é, para estarem em relação
ministerial com ele.

2.3. Cristo predestinado como Mediador: Ele
é objeto da predestinação nos seguintes sentidos:

A). Havia um
amor especial do Pai, distinto do seu amor usual ao Filho, desde toda
eternidade.

· “Qual, na verdade, foi conhecido ainda
antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de
vós.” ( 1 Pd 1.20)

· “e, chegando-vos para ele, pedra
viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas, para com Deus eleita e
preciosa.” ( 1 Pd 2.4)

B). Ele como Mediador era objeto do
beneplácito de Deus. ( Leia 1 Pd 2.4)

C). Ainda como Mediador ele
foi adornado coma imagem especial de Deus, à qual os crentes devem
conformar-se.

· “Porque os que dantes conheceu, também os
predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que
ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8.29)

D). O
reino em toda a sua glória foram ordenados a Ele, para que ele os passe
aos crentes.

· “E assim como meu Pai me conferiu domínio,
eu vo-lo confiro a vós.” ( Lc 22.29)
extraido blog conversa teológica

PREDESTINAÇÃO 2 (Por Pr. Pedro Rocha)

6 mar

UMA
BREVE EXPOSIÇÃO BÍBLICA DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO(2)

(3). Termos bíblicos para a predestinação – Vamos
considerar os seguintes termos:

3.1. A palavra hebraica “yada” –
Pode significar:
1. “conhecer”
2. “tomar conhecimento” de
alguém ou de alguma coisa.
3. “tomar conhecimento de alguém com
cuidado amoroso,
4. “fazer de alguém objeto de amoroso cuidado ou
de amor eletivo.

Este é o sentido que aparece nos textos a
baixos:
Ø “Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a
seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do
Senhor, para praticarem retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça
vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado.” (Gn 18.19)

Ø
“De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido;
portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades.” (Am 3.2)

Ø
“Eu te conheci no deserto, em terra muito seca.” (Os 13.5)

3.2.
As palavras gregas “ proginoskein” e “prognosis” – O sentido destas
palavras no NT não são definidos pelo uso delas no grego clássico, mas
pelo sentido especial de “yada”. Elas não indicam simples previsão ou
presciência intelectual, nem mera obtenção de conhecimento de alguma
coisa de antemão, mas conhecimento seletivo que toma em consideração
alguém favorecendo-o, e o faz objeto de amor, aproxima-se da idéia de
predeterminação. Este é o sentido das passagens a baixo:

Ø
“A este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de
Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos.” (At 2.23)

Ø
“Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho
predeterminaram que se fizesse”. (At 4.28)

Ø “Porque os que
dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de
seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm
8.29)

Ø “Deus não rejeitou ao seu povo que antes conheceu.
Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele fala a Deus
contra Israel, dizendo”.(Rm 11.2)

Ø “Eleitos segundo a
presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e
aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam
multiplicadas.” (1 Pd 1.2)

Estas passagens perdem seu
significado, se as palavras forem entendidas apenas no sentido de
conhecer alguém antecipadamente, pois neste sentido Deus conhecem todos
os homens. Este conhecimento prévio inclui a certeza absoluta desse
estado futuro, e por esta razão chega bem perto da idéia da
predestinação. Em I Pedro 1:2 a palavra para "presciência" é a mesma
para "conhecido" no vigésimo versículo do mesmo capítulo, onde o
significado não pode ser "conhecimento" sobre Cristo. O conhecimento de
Deus sobre as pessoas não tem limites, ao passo que Seu conhecimento de
pessoas é limitado aos que são realmente salvos e glorificados.

3.3.
A palavra grega “eklegethai” e “ekloge” – Muitos pensam que esta
palavra incluem a penas a idéia de um chamamento para dado privilégio,
ou a idéia do chamamento para a salvação, mas seu sentido não esgota
nisto. A ênfase destas palavras recai no elemento de:
1. escolha
ou seleção mediante o decreto de Deus, concernente ao destino eterno dos
pecadores;
2. escolha acompanhada por beneplácito;
3.
escolha de Deus de certo número de membros da raça humana colocando-os
numa relação especial com Ele;
4. chamamento para dado
privilégio;
5. chamamento para a salvação;
6. refere-se a
uma eleição anterior e eterna.

Vejamos os textos a baixo:

Ø
“(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem
ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse
firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”. (Rm 9.11)

Ø
“Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente
segundo a eleição da graça.” ( Rm 11.5)

Ø “Como também nos
elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor”. (Ef 1.4)

Ø “Mas nós
devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor,
porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do
espírito e a fé na verdade.” ( 2 Ts 2.13)

3.4. As palavras
gregas “proorizein” e “proorismos” – Estas palavras se referem à
predestinação incondicional, ou absoluta. Elas se referem a
predeterminação do homem para certo fim, e de acordo com a bíblia, o fim
pode ser bom ou mau (veja At 4.28; Ef 1.5). Contudo , o fim a que se
refere não é necessariamente o fim último, é um fim dentro do tempo, o
qual por sua vez, é um meio para o fim último. Vejamos os textos a
baixo:

Ø “Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho
predeterminaram que se fizesse”. (At 4.28)

Ø “Porque os que
dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de
seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.
(Rm 8.29)

Ø “Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério,
que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa
glória.” ( 1 Co 2.7)

Ø “E nos predestinou para sermos filhos
de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua
vontade…nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido
predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas
segundo o conselho da sua vontade.” (Ef 1.5,11)

3.5. As palavras
gregas “protithenai” e “prothesis” – A idéia nestes vocábulos é que Deus
põe diante de si um plano definido. Refere-se ao propósito de Deus, de
predestinar certos homens para a salvação. Estas palavras aparecem nos
textos a baixos:

Ø “Porque os que dantes conheceu,
também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim
de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8.29)

Ø
“(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou
mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme,
não por causa das obras, mas por aquele que chama)”. (Rm 9.11)

Ø
“fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito, que nele propôs.” (Ef 1.9)

Ø “nele, digo, no
qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o
propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua
vontade.”(Ef 1.11)

Ø “Que nos salvou, e chamou com uma santa
vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio
propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos
eternos.” (2 Tm 1.9)
(extraido do blog http://conversateologica.blogspot.com/ )

PREDESTINAÇÃO (1) (Pr. Pedro Rocha)

1 mar

UMA
BREVE EXPOSIÇÃO BÍBLICA DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO(1)

O trabalho que se segue é apenas um pequeno degrau para aqueles que
desejam ter uma breve introdução sobre esta doutrina tão temerosa em
nosso meio. Quase não se menciona nem a palavra nem a doutrina da
predestinação em nossas igrejas. Uns porque acham isso doutrina de
Presbiterianos, e nós, afinal somos batistas; outros por entender que
esta doutrina e por demais misteriosa ou controvertida, que só produzirá
confusão nas mentes dos crentes. E outros porque tem preconceito, ou
não desejam ler a Bíblia sobre este tema. A mim, isso me parece um
grande desperdício. Não conhecer esta doutrina é não ouvir aqueles
segredos que Deus conta para os mais “chegados”, não que eu seja tão
‘chegado’ e vocês a redil, nada disso. Mas me definiria neste ponto como
um “esforçado”, para provar deste néctar maravilhoso das Escrituras.
Espero poder contribuir ao menos para despertar algumas dúvidas em meus
leitores e/ou ouvintes, e quem sabe uma boa e calorosa discussão
teológica em nosso meio.
O título deste trabalho é modesto, como
modesta é a apresentação: “Uma breve exposição bíblica da doutrina da
predestinação”. Não aprofundo na discussão teológica, desejo apenas
apresentar a Bíblia e o que ela ensina sobre o assunto. Primeiramente
precisamos certificar que esta doutrina está na Bíblia, uma vez
fundamentada nas Escrituras, poderemos discutí-la nos termos da
teologia.
A doutrina da predestinação faz parte dos decretos de Deus.
Por isso é que as vezes na Teologia a palavra “predestinação” é
empregada como sinônimo da palavra geral “decreto”. Quando passamos a
tratar estritamente de predestinação, continuamos tratando dos decretos,
porém, passamos do geral para o particular.

(1). Definição: 1.
“decreto”. Neste caso vale ressaltar que a doutrina da predestinação faz
parte dos decretos de Deus. Por isso é que as vezes na Teologia a
palavra “predestinação” é empregada como sinônimo da palavra geral
“decreto”. Quando passamos a tratar estritamente de predestinação,
continuamos tratando dos decretos, porém, passamos do geral para o
particular.
2. “O propósito de Deus com
respeito a todas as Suas criaturas morais”
3.
“O conselho de Deus concernente aos homens decaídos, incluindo a eleição
soberana de uns e a justa reprovação dos restantes”

4. “Determinar previamente as fronteiras, predestinar”

(2).
A doutrina da predestinação na história: Até os dias de Agostinho a
doutrina da predestinação não era um assunto considerado importante na
discussão teológica.

2.1. Os primeiros pais da igreja falam dela,
porém faz-nos pensar que não tinham uma concepção clara do assunto. E
eles a consideram como sendo a presciência de Deus com referência aos
atos dos homens, baseado no qual Deus determina o destino futuro do
homem.

2.2. Pelágio, não admitia uma predestinação absoluta, mas
uma predestinação condicional, baseada na presciência de Deus sobre os
atos dos homens.

2.3. Agostinho, a princípio pensava na
predestinação condicional, porém uma reflexão mais profunda sobre o
caráter soberano de Deus levou-o a ver que a predestinação não dependia
da presciência de Deus sobre os atos humanos. Contudo ensinava a dupla
predestinação: para a vida e para a morte. A primeira é um ato puramente
soberano de Deus, neste caso os eleitos são objetos da predestinação,
ao passo que a predestinação para a morte ela é judicial e leva em conta
o pecado do homem, e os reprovados são os objetos da presciência.

2.4.
Os semipelagianos, embora admitindo a necessidade da graça divina para a
salvação, reafirmaram a doutrina da predestinação baseada na
presciência.. Silenciaram a voz dos agostinianos e passaram a dominar
principalmente entre os líderes da igreja.

2.5. A Igreja Católica
Romana admitia a doutrina da predestinação, porém seus mestres
sustentavam que Deus queria a salvação de todos os homens, e não apenas
dos eleitos. De um lado temos Tomás de Aquino movendo-se na direção do
agostinianismo e Molina, seguindo em direção do semipelagianismo.
Todavia, Tomás de Aquino não podia desenvolver esta doutrina livremente
como fator determinativo em sua teologia.

2.6. No início Lutero e
Melanchton aceitava a doutrina da predestinação, mas a convicção que
Deus queria que todos os homens fossem salvos levou a enfraquecer a
doutrina da predestinação na teologia luterana, passando a adotar uma
predestinação condicional.

2.7. Calvino sustentou firmemente a
doutrina agostiniana da predestinação, como sendo dupla e absoluta..
Dava ênfase ao fato de que o decreto concernente à entrada do pecado no
mundo foi um decreto permissivo, e que o decreto de reprovação foi
elaborado de maneira que Deus não seja apontado como o autor do pecado,
nem responsável por este de modo nenhum. Todas as confissões reformadas
(calvinistas) incorporam esta doutrina.

2.8. Os arminianos
investiram contra esta doutrina, suplantando-a pela doutrina da
predestinação condicional.

2.9. Schleiermacher, o pai do
liberalismo, deu uma formulação inteiramente diversa para a doutrina da
predestinação. A religião para ele era um sentimento de dependência
absoluta da causalidade própria da ordem natural, que predeterminam
todas as decisões e ações humanas, e a predestinação foi identificada
com esta predeterminação feita pela natureza ou pela conexão causal que
há no universo.

2.10. Na teologia moderna a doutrina da
predestinação não encontra apoio real. Ela é ora rejeitada, ora alterada
de tal forma que fica irreconhecível. Uns a chamam de determinismo,
outros a apresenta como uma predestinação de todos os homens a se
conformarem à imagem de Cristo. Para outros ela se reduz a certos
privilégios ou ofícios.

2.11. Karl Barth, dirigiu sua atenção à
doutrina da predestinação, mas sua elaboração está longe do pensamento
de Agostinho e Calvino. Ele se faz ouvir em concordância com os
reformadores no que diz respeito a soberana liberdade de Deus em sua
eleição, revelação, vocação, e assim por diante. Mas não ensina a
predestinação como uma predeterminada separação entre os homens, e
descarta o conceito de uma eleição particular. Ele entende que o homem
por ser pecador, está reprovado diante de Deus, mas por causa de Cristo
ele é escolhido, ou seja do lado humano o homem é sempre reprovado, mas,
visto do lado divino, é sempre eleito.