Arquivo | outubro, 2010

UMA CRÔNICA SOBRE UM DIÁLOGO REFLEXIVO

29 out

“FALANDO SOBRE ÁRVORES”

– Olá meu como vai?
– Vou bem. mas você anda meio sumido; o que tem aprontado? ou, o que você aprontou?
– Nada. nada de novo, ou nada demais, ou nada de menos.
– O novo ou renovo está em Cristo!
– Não meu amigo, fique tranquilo, estou bem. Só resolvi passar um dia diferente e igual a todos os outros; olhando para a mesma árvore, debaixo da mesma sombra, na mesma cadeira. Sempre pensando e pensando, nada mais.
– Pensar não é agir, já te disse isto.
– É… já começo a duvidar de Freud (que diz que o pensamento é o ensaio da ação) e crer em você.
– O que andas pensando tanto?
– Nada demais. Só mesmo em como refazer minha vida, não sei o método certo, mas vou encontrar e sei que Deus me guiará.
– Sim eu creio nisto e estou orando por você e sua família.
– Amém. Olha vou lhe dizer uma coisa escute bem: “minha mente se abriu por completo. mas meu corpo ainda esta parado. Sempre olhando pra mesma árvore grande e frondosa. Sentado na mesma cadeira observando sempre e sempre a mesma árvore! Vendo o mesmo céu, que aqui é bem menos estrelado que aí. Faltam estrelas neste céu. céu límpido e sem estrelas. vento que sopra e suaviza o calor. Chuva que traz águas do céu e que me encantam. (sinto uma imensa atração pela chuva, ainda vou pensar a respeito disto) Mas aqui estou eu, mente aberta, corpo inerte. Mente que não para,corpo parado. Meu corpo ainda que tente, não consegue acompanhar minha mente. E eu fico aqui, mente aberta, corpo inerte, sempre sentado na mesma cadeira olhando pra mesma árvore, sempre pensando, mas como Freud diz:’o pensamento é o ensaio da ação’, mas cadê a ação? eu digo e me questiono: Pensar é pensar, agir é tornar pensamentos em atitudes. Até quando olhando pra esta árvore?”
– Sim… eu te entendo, mas agora escute: ” Vislumbre a árvore da vida ‘DEUS’, vislumbre a árvore do prazer ‘SUA ESPOSA’, vislumbre as duas árvores do jardim da família ‘SEUS FILHOS’. Aí sim, encontrarás descanso para sua alma.”

Anderson Luiz de Souza

CENTROS DE RECUPERAÇÃO, PORQUE RECUPERAM TÃO POUCO?

27 out

CENTROS DE RECUPERAÇÃO, PORQUE RECUPERAM TÃO POUCO?

Queria começar este artigo dizendo por ter passado por dois centros de recuperação e ter conhecido outros vários, falo um pouco do que vi, convivi e percebi por alguns dos centros por que passei.

Em primeiro lugar gostaria de citar que os centros que passei eram centros vinculados a igrejas evangélicas, e que os líderes destas, estes sim, são movidos pelo amor ao próximo e estão de fato preocupados com as vidas que por certo período de tempo, habita nestes centros e freqüenta as igrejas lideradas por estes homens que nutrem em seu coração, o amor pelas almas e ao próximo.

Bem, o que eu percebi nos centros por que passei foi uma total falta de estrutura dos mesmos, falta de apoio por parte dos governos, tanto no âmbito federal, estadual e municipal e até mesmo por parte das convenções destas igrejas que por muitas vezes, tem seus cofres abarrotados, mas que não investem nada ou quase nada perto da quantia que estas convenções (estas convenções são órgãos a que as igrejas estão sujeitas como a CBN, CBB entre outros “cês” espalhadas pelo nosso Brasil) guardam em seus cofres, dinheiro, que a meu ver, deveria ser usado para recuperação de vidas, seja dentro dos centros (os dependentes propriamente dito) seja na sociedade, na ajuda aos mais necessitados e menos favorecidos da sociedade, mas se não fazem isto nem com uma parcela de seus missionários espalhados na obra, porque motivos fariam com dependentes, marginalizados ou até mesmo os mais necessitados? Sem contar o preconceito sofrido por grande parte da sociedade e até mesmo pela membresia das igrejas (geralmente uma pessoa só deixa de ser preconceituosa depois de ter um de seus entes ‘depend-entes’) aos quais os centros são vinculados.

O que falta nos centros?

1- instalações apropriadas. Em geral, são sítios ou chácaras com pequenas casas e pequenos quartos que por vezes, pessoas chegam a dormir no chão.

2- falta de monitores e auxiliares devidamente habilitados e treinados. Em geral estes monitores são ‘ex-dependentes’ que passam a morar nos centros e a ocupar o cargo de monitores destes centros, mas sem nenhum tipo de especialização ou treinamento.

3- falta de uma verdadeira terapia ocupacional, sendo realizados apenas trabalhos de limpeza nas dependências do centro, como faxinas, capinas, e até na construção e reformas dos centros, ou das igrejas.

4- falta de profissionais específicos (psicólogos, psiquiatras e terapeutas).

O que sobra nos centros de recuperação?

A sobrecarga para os pastores que lideram as igrejas e os centros e o excesso de fé em Deus e que todo dependente vai se recuperar simplesmente passando seis meses nos centros e freqüentando o culto nas igrejas e que com muita oração e jejum, todos os problemas se resolverão, coisa que obvio, não acontece. Pois as igrejas, digo, nós como igreja, cheia de dogmas, que são indiferentes a Graça de Cristo, só fazem podar aos novos membros recém saídos de seus centros de recuperação. ‘Libertando-os’ da escravidão das drogas e das mãos do diabo, para ao prender aos seus dogmas ou aos seus “usos e costumes”.

Mas há sim casos de recuperação plena, a casos de dependentes que abandonaram de vez o vicio e chegaram a serem consagrados pastores. Há casos que seis meses de internação, muito jejum e oração resolvem. Mas a casos que não. Mas o que eu queria expor aqui é o total descaso da sociedade, do governo e até da igreja, que preconceituosa, acaba jogando de novo, muitos na droga.

Enquanto não tratar-mos as pessoas como seres individuais e com problemas individuais, assim como o grau de dependência, que também é individual e inerente a cada um, continuaremos falhando na recuperação de vidas. Enquanto não nos conscientizar-mos de que cada ser, cada pessoa é um caso individual e não coletivo, vidas continuarão vindo e indo e vice versa aos centros de recuperação (pois a porcentagem de reincidentes é altíssima) vidas continuarão sendo ceifadas pelo crack. Enquanto a igreja não se despir dos dogmas e não tentar fazer a obra que só o Espírito Santo é capaz de fazer, e que terá seu começo nos centros de recuperação com uma estrutura adequada, continuaremos perdendo vidas e vidas preciosas.

Engraçado, agora me lembrei de um fato aqui em minha mente certa vez quando um amigo meu dono de uma rede de lojas em Belo Horizonte e que tinha certa influencia tanto com políticos tanto com autoridades das mais diversas bases, tentou conseguir uma alvará do IBAMA para que fosse soltos pássaros e aves silvestres não só no sitio em que ele morava, mas em todo o condomínio, fazendo daquele lugar um viveiro de aves livres e bem tratadas, tamanha foi a burocracia e exigências que ele acabou por desistir. O que será que se exige para que se abram centros de recuperação?

Anderson Luiz de souza

ORAÇÃO AO DEUS DESCONHECIDO

25 out

Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, elevo só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo. A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar. Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: “Ao Deus desconhecido”. Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos. Seu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo. Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo. Eu quero Te conhecer, desconhecido. Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida. Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti.
Friedrich Nietzsche (1844-1900)

A BUSCA INCANSÁVEL PELO PRIMEIRO PRAZER

24 out

A BUSCA INCANSÁVEL PELO PRIMEIRO PRAZER

A luta contra a ilusão

É sempre a mesma busca, sempre o mesmo desejo…

Ela me chamando outra vez, convite ao prazer extremo!

Cantando sempre a mesma melodia: – Alô? Você está aí?

Alô estou te chamando… Sei que não podes resistir…

Venha… Toque sua boca em minha boca quente, alô você está aí?

Sei que me desejas não se prive de mim. Sempre espero você aqui.

Há… Tento resisti-la, mas ela me encanta, sei que não posso ir…

Mas, algo me impele, tanto prazer sinto quando estou contigo.

Você me conduz ao extremo e um único prazer. Já não consigo resistir!

Quero beijá-la, sentir o calor intenso de sua boca que me tira o ar…

Você me invade… Corpo, mente, coração, uma explosão de sensações…

Num único beijo, vislumbro todo o universo, da lua? Todas as estações!

Todas as cores… O sol e seu resplendor, o céu desce! Mil e uma sensações.

Quero te beijar-te de novo! Quero-te agora! Sentir de novo as explosões.

Quero de novo sentir-me confortavelmente entorpecido por você.

Beije-me outra vez… E a beijo… E beijo… Explosões e sensações…

Meu corpo todo a tremer, suor, arrepios, excitação ou vulgar tesão,

Orgasmos parecem ir e vir… Quanto mais a beijo mais quero você.

Mas já não são os mesmos prazeres, as mesmas sensações, por quê?

Já não sinto meu corpo… Já não sinto nada e o nada me invade.

O céu se foi, as cores sumiram, e a lua? Eclipse total! Foi-se toda a emoção.

Não tem mais sol não tem nada! Só um vazio, já nem sinto pulsar de meu coração.

Mas ainda estou ali… Você se foi e eu me arrasto atrás de você. Agora eu quem canto.

Um canto agonizante, um gemido, canto contos para ter você, pra mendigar você!

É sempre a mesma busca… Sempre o mesmo desejo… Mas eu agora quem canto.

Quero que me devolva meu primeiro momento, quero o meu primeiro prazer.

(tentei relatar neste poema, exatamente o drama vivido por um dependente lutando contra o vício, e não conseguindo resistir.)

Anderson Luiz de Souza


Um Reino de Amigos

19 out

Um Reino de Amigos
Quatro amigos levaram um paralítico a Jesus, em Cafarnaum.

Que bom que esse homem tinha amigos.

Que bom que eram amigos atentos a qualquer oportunidade de ajudá-lo.

Eram amigos parteiros, que acreditam na possibilidade e provocam-na.

Que bom que eram dos tais que não desistem diante dos obstáculos.

O coração duro dos que já estavam na casa lotada, e que não se abalaram do seu conforto, para que alguém mais necessitado fosse aproximado de Jesus, parecia um obstáculo intransponível.

Que bom que, para esses amigos, uma pedra, no meio do caminho, não era o fim do caminho.

Que bom que sabiam que os dons que recebemos são para o bem do outro, e, imediatamente, se puseram em busca de saída, abriram um buraco em casa alheia.

Que bom que, para eles, o ser humano vale mais do que qualquer patrimônio.

E interromperam o pregador.

Que bom que, para Jesus, atender ao ser humano é mais importante do que terminar o sermão.

E Jesus viu-lhes a fé.

Que bom que Jesus atenta para a fé. E foi a fé dos amigos.

E Jesus perdoou-lhe os pecados.

Que bom que os amigos levaram o seu companheiro a Jesus.

Que bom que Jesus sabe do que a pessoa precisa.

Nem toda doença é fruto do pecado, mas todo pecado adoece o pecador, duma ou doutra forma.

Aquele homem para voltar a andar precisava ser perdoado.

A falta de perdão, sempre, dalguma forma, faz o que precisa de perdão estagnar.

Tem gente que diz perdoar, mas mantém o outro em estado de dívida, não o libera para andar.

Que bom que o perdão de Jesus nos libera para andar, Jesus perdoa e esquece.

Como é bom, quando a gente não tem mais fé, ter quem creia por nós.

Como é bom, quando a gente não consegue mais andar, ter quem nos carregue.

Hans Bürky disse que o Reino de Deus é um reino de amigos.

Foi isso que Jesus veio inaugurar: um reino de amigos. Que a Igreja seja assim!

Ariovaldo Ramos

Desprezo

13 out

Desprezo
Ricardo Gondim

Desprezo o rigor dos conservadores que desprezam a ética em nome da ortodoxia.

Desprezo a euforia dos pragmáticos que desprezam o conteúdo em nome do sucesso.

Desprezo a hesitação dos cautelosos que desprezam a consciência em nome da conveniência.

Desprezo a coragem dos demagogos que desprezam a realidade em nome da reputação.

Desprezo a piedade dos religiosos que desprezam a própria humanidade em nome da idealização.

Desprezo a lealdade dos amigos que desprezam a afeição em nome da ocupação.

Desprezo o discurso dos teóricos que desprezam a ação em nome da catequização.

Desprezo a iniciativa dos empreendedores que desprezam a vida em nome do desempenho.

Soli Deo Gloria

11 out

A Comunhão das Vozes
Madredeus
Composição: Pedro Ayres Magalhães

Praia deserta
Largo areal
Visão incerta
Do que é banal
E eu a cantar
Na direcção
De algum lugar
Esta canção
Vozes em comoção
Terra que não se faz
Vozes que não se dão
Não atingem a paz
Tratam-se mal
E sem razão
Tornam mortal
A situação
Janela aberta
Missão final
Espaço concreto
Do ritual
Côro a cantar
Sublime canção
O celebrar
Da comunhão
Vozes deem a mão
No concerto final
Vozes em comoção
Amem o vosso igual
E eu a cantar
Na direcção
De algum lugar
Esta canção