Arquivo | abril, 2011
13 abr

ROZANA BAT ZION


Rozana, Bat Zion, anja ou arcanja? Qual teu nome?
Ou talvez melhor, pra que nomes? És mulher… E anja!
Zion… Sião. Fortaleza! És mulher, és mãe, és filha…
Arcanja, sensualidade é teu nome, porém és muito mais!
Nunca abandona uma luta, jamais desiste de seus sonhos.
Anja forte, mulher frágil. Emocionalmente frágil. Mulher-anja!

Bat… Filha. És isto! Filha de Sião, do Altíssimo Deus, Bat Zion!
Anja_Arcanja, Rozana Bat Zion. Pra que estes nomes? és menina, coração de mulher!
Traduzir-te é impossível! Menina-anja, arcanja-mulher.

Zion… Sião. Fortaleza! És mulher, és mãe, és filha…
Impossível descrever tamanha sensualidade, apenas nos resta render.
Olhar-te, admirar-te, ter você. Nada mais. Ter você…
Nada mais importa. Qual teu nome? Teu nome é mulher. A mulher!

Anderson Luiz de Souza

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A CRÔNICA DA MULHER-PEDRA (meu desassossego)

13 abr

De novo e mais uma vez e de novo… Já disse que não lhe quero mais, não venha perturbar-me! Nosso caso já acabou. Voltei em busca de meus novos e velhos sonhos… Voltei para os que eu havia abandonado… Às vezes é preciso voltar para seguir adiante.

Mas… Tenho que lhe confessar, você ainda ronda meus sonhos, não! Sonhos não. Pesadelos! Você ainda me perturba… Ainda sinto seu gosto em minha boca, sinto teu cheiro. E teu cheiro me faz suar. Eu tremo e tento… Meu coração acelera, meus olhos te procuram, me descontrolo; corro, fujo. Tudo em vão! Quanto mais corro mais a sinto presente dentro em mim. Sempre a me atormentar… Pesadelos, sonhos a me importunar. Acordo e fujo! Corro, corro e corro. E já todo molhado pelo suor e cansado, percebo que não tenho mais forças para fugir. Cansei!

Então, trêmulo e exausto caio. Estou caindo e caindo… Rosto no chão. Não consigo mais fugir. Não posso mais. Decido me entregar de vez.

Mas num impulso sobrenatural me ponho de joelhos, o rosto ainda molhado pelas lágrimas e sujo pela poeira do chão, levanto meus olhos para o alto e clamo por ajuda: – Meu Deus livre-me desta mulher! Ela não tem coração e nem piedade de quem seu beijo prova. Há meu Senhor livra min alma desta mulher feita de pedra. Ela é só isto, uma pedra!

Então enquanto ainda choro e tremo sem nada poder ver, uma mão quente e macia… Uma voz sublime a me consolar. Seria mais um sonho? Não! Senti que não. Vi que não. Ele me ouviu. Deus ouviu-me! Mandou uma anja, minha anja e dois anjinhos pra me ajudar. Levanto. Ergo-me, tento me limpar, mas não tenho forças. Volto. Para prosseguir eu volto. E decido, não mais vou correr, nem fugir. Vou enfrentar a mulher-pedra. Tenho ao meu lado o Anjo do Senhor, uma anja e dois anjinhos. Não vou mais fugir de você mulher feita de pedra. Agora eu a vencerei, pois estou de volta a meu lar. Ainda que me perturbes em pesados sonhos (e sei que vai), eu me olho e olho ao meu redor, sei que não estou só (nunca estive, mas nunca os via), e digo mulher feita de pedra, nunca mais vou te beijar. Nunca mais…

Desta vez eu sei que posso dizer que nunca mais. Nunca mais…

Anderson Luiz de Souza

Tiago, o primo que sempre tive sem poder ter e que hoje estará sempre presente em nossos corações.

10 abr

Há consolo no luto?
Ricardo Gondim

Ao abraçá-la, senti seu corpo magro. Notei que seus olhos baços me contemplavam sem entusiasmo. Na primeira palavra, percebi a voz quebrada de uma mulher sofrida. Eu imaginava, mas não alcançava a angústia que minha amiga atravessava. Ela experimentava a hora mais dolorida e mais terrível da existência: a hora do luto.
A morte é sorrateira, insidiosa, traiçoeira. Alguns, desenganados, recebem o bilhete fatal e dispõem de tempo para arrumar a casa antes da partida. Mas para minha amiga a guilhotina desceu sem aviso. A morte não respeitou sequer possíveis imaturidades de sua alma; serpenteou, deu o bote, feriu e carregou quem escolheu. O que dizer, diante de uma mãe que chora, de uma esposa que perdeu o chão e que não sabe mais se terá forças para achar um norte?
As respostas aparentemente confortadoras se esvaziam. “Deus tem um plano”; “Ele leva para si os bons”; “Chegou a hora”. Tais frases, funcionam como aspirina que alivia sem curar o problema. Em um esforço medonho de não parecer professoral, procurei oferecer-lhe outro modelo de como perceber os atos misteriosos de Deus. Mas logo notei que meu esforço era inútil. Minha amiga esperneava dentro da cerca teológica que fora educada. “Deus governa e como um dramaturgo celestial, conduz o desenrolar de nossas vidas. Deus não permite que nada aconteça sem que esteja previsto em seu roteiro”.
Silenciei, abraçado. Depois, voltei ao hotel e chorei. Por horas não consegui apagar o sofrimento daquela mãe. Além de ter que aprender a repetir a litania fúnebre do “nunca mais”, ela terá de brigar com o seu Deus. Que tristeza! Deitado, insone, escutei sua indignação lacerante: “Por que Deus é tão obscuro em seus planos? Por que, tão indiferente? Vou ter que esperar quanto tempo até entender seus motivos para levar (“levar” não passa de um pobre eufemismo para “matar”) um pai precioso, um amigo querido, um filho especial?”. Debulhei-me em lágrimas.
A morte baterá em outras portas e continuará a subtrair vidas. Não distinguirá justos de injustos. Traficantes viverão mais que mulheres bondosas. Pais enterrarão seus filhos, quando o certo deveria ser o contrário. Acidentes eliminarão de uma só tacada, jovens e idosos. Os amigos de Jó erraram nas conjecturas sobre o sofrimento universal. O justo Jó via-se arrasado por todo tipo de infortúnio, mas eles continuavam sem a menor idéia dos porquês. Não, não me arvoro a decifrar o enigma dos enigmas.
Contudo, prefiro a revelação bíblica de um Deus que não é um títere a puxar cordões de marionetes. Chamo-o de Emanuel: O Deus presente em nós. Jesus encarnou e viveu a sua humanidade até as últimas consequências. Semelhantes a ele, no espaço de nossa liberdade, também estamos cercados de perigos, e sempre à beira do derradeiro suspiro. Deus não arbitra quem morre e quem vive segundo critérios inacessíveis, mas se compromete a revelar seu amor quando o soluço da perda for asfixiante. Deus se mostra em cada abraço, em cada palavra de solidariedade e em cada gesto de lealdade. “A nossa dor dói em Deus”, disse Isaías. Sim, Deus é cheio de compaixão – Segundo as duas raízes de “com-paixão”, Deus “sofre junto”.
Nada sei e nada posso especular sobre a morte, mas minha intuição avisa que reconhecer a companhia fiel de Deus traz mais conforto do que ficar questionando o porquê.

Soli Deo Gloria

Dedico esta reflexão ao meu amado Tio Saulo e sua família que tão subitamente tiveram tirados de suas vidas ( e de forma tão trágica) o nosso eterno Tiago. É sempre difícil aceitar e ter que conviver com esta dor; uma ferida que jamais cicatriza, mas que nos força a conviver com ela. Deus não nos prepara para esta dor! Apenas nos dá forças e nos consola (se a Ele nos entregar-mos), mas Deus não nos prepara. Ele nos ensina a superar e vencer; Ele (Deus) que se fez homem e suportou todas as dores, nossas dores, nossas maldições e nosso castigo. Foi por você… pelo Tiago e por toda a humanidade. Nossa dor dói em Deus! ” E se Deus é por nós, quem será contra nós? ” Eu e minha família somos co-participantes de sua dor. Tiago… o primo que sempre tive sem ter; Um ato de insana crueldade nos privou de uma bela e singular convivência. Quando finalmente nos temos, nos conhecemos e ao amor de primos nos entregamos Deus em sua eterna Sabedoria e Amor, decidiu (antes que qualquer um de nossos dias existisse) que o Tiago estaria sempre jovem e eternamente presente em nossas lembranças e em nossos corações.
Anderson Luiz de Souza