Arquivo | setembro, 2011

Uma carta aberta aos pais (um lamento e um alerta pela morte do pequeno do David)

26 set

Uma carta aberta aos pais (um lamento e um alerta pela morte do pequeno do David)

     Esta semana um acontecimento trágico ocorrido dia 22 quinta feira, colocou fim à vida do pequeno David, fato este que me abalou profundamente, talvez porque eu tenha um filho da mesma idade, mas não só por isto, mas por eu ser humano e estar sempre aprendendo a comungar da dor de meu próximo. Quero primeiro prestar minhas condolências à família do pequeno David e dizer a seus pais que não sou capaz de alcançar a dor pelo qual eles estão passando. É algo inimaginável que só quem sente sabe a dor que causa tamanha perca. Inda mais sendo da forma que foi, com a arma do próprio pai. Amado, receba meu abraço, sou militar e por isto sei como é ter uma arma em casa, embora eu não mais possua uma.
                Bom não quero alongar-me nesta carta que é um lamento e um alerta a nós pais, não quero jamais que esta carta venha a ser interpretada como oportunista, mas um lamento e um alerta de um pai que poderia estar passando pela mesma dor.
                Quero fazer um alerta para que nós pais estejamos sempre vigilantes com o que nossos filhos têm visto na televisão, na net e principalmente nos vídeo games, pois é sabido como isto pode influenciar de forma negativa uma criança. Eu tendo um filho com esta idade, não consigo ver como uma criança em tão tenra idade pôde ou pode conceber tamanha agressão, não só contra a sua professora, mas principalmente contra sua própria vida.
Outro fato que me chama a atenção é o motivo especifico que o levou a tal atentado contra aquela professora propriamente dito, pois já é de conhecimento que são três professoras. Fico me perguntando, porque contra aquela e não contra a primeira ou a segunda que estiveram na sala antes? Bom, não quero acusar a professora sem sequer conhece-la (espero que esteja bem e em plena recuperação), mas como tenho dois filhos nem escola pública sei bem como funciona e como as professoras tratam seus alunos. Na escola onde meus filhos estudam tivemos que nos dirigir à direção da escola para que mudasse meu filho caçula de sala, isto porque o simples fato da professora fazer um pedido se transformava em ordem para ele, a ponto do pequeno (apenas sete anos) chorar caso não fosse possível atender ao pedido (ordem) da professora (cito como exemplo, pedidos de prendas e coisas assim para que os alunos levassem para escola). O medo de meu filho fez com que eu observasse com mais atenção como a professora tratava não só meu filho, mas também a outros alunos. E confesso fiquei estarrecido com o que vi. E é para isto que eu quero chamar a atenção, para que nós pais possamos perceber qualquer mudança de comportamento de nossos filhos, pois em alguns casos, o buylling  vem da educadora e não de colegas de classe, é lamentável mas é esta a dura realidade das escolas publicas.
Termino esta carta fazendo um pedido a nossos governantes para que olhem para nossas crianças que são o futuro de nosso país e invistam mais em educação e que escolham professores aptos para o ensino e que além de mestres sejam humanos.
Deixo uma pergunta:
Como será o futuro de nosso país se não houver uma mudança radical nas mentes de nossos governantes?
Aos pais do pequeno David digo que nada pode aplacar tal dor, sei que se sentem abandonados por Deus, mas na verdade só Ele pode ajudar a superar tamanha dor.
De um pai que muito se comoveu com este trágico acontecimento,
Anderson Luiz de Souza.

Um texto que minha esposa leu no blog de um pastor amigo e fez com que ela fizesse uma pergunta.

22 set

Diante deste texto do sábio pastor Leandro (que ele não veja que estou o chamando de pastor rsrs) uma pergunta veio em minha mente, decidi publicar o texto e também a resposta de meu amigo Leandro.


“SODOMIZADOS” Espiritualmente…

A crise não nasce somente de uma situação específica que se torna insuportável. A crise é um estado extremado de diversidades de situações em conjunto, que agregadas tornam-se insuportáveis, conduzindo os indivíduos à loucura por alguma solução. Analisar a crise de forma sistemática é um erro terrível, que nos faz buscar calar a dor e não curar a doença. É fato que há muito tempo focamos nossas criticas em diversos seguimentos evangélicos, representantes religiosos, etc. Como se estes fossem os reais culpados por toda esta situação caótica em que se encontra a religião evangélica na atualidade. Devemos reconhecer que o que vivenciamos é apenas uma generalização de uma série de outras situações que há anos atrás foram vistas de forma displicente. Hoje estamos apenas a suportar em estado vegetativo a força dos cânceres que foram carcomendo a ética desta religião.

Das formas mais bizarras fomos “sodomizados” espiritualmente com uma multidão de doutrinas que corromperam a fé cristã, atirando as palavras do Cristo no lixo e tornando o que havia de mais belo no cristianismo em atitudes legalistas e apavorantes. Na atualidade quando se fala em cristianismo (em especial evangélico) facilmente foge das mentes aquele antigo sentimento que fazia referência aos portadores de esperança. Ao invés, somos alvo de olhares condenadores que nos apontam como cúmplices destas corjas de bandidos e criminosos, que invadem a televisão brasileira em nome do seu cristo bizarro, defecando nos lares através de seus programas pútridos e gananciosos.

Entretanto é verdade que os grandes culpados por toda esta imundice somos nós, que em grande maioria nos cognominamos como cristãos, mas desconhecemos as verdades do Cristo. Falo sem medo que mais do que 50% dos ditos cristãos na atualidade são participantes de perfis de religião que podem ser comparados com ideologias fundamentalistas bizarrentas, do que com a filosofia do cristo. Sendo que também grande parte desta parcela acaba por tornar o cristo em instrumento de negociação e capital, atraindo multidões em busca do cristo lucrativo. Poderia facilmente apontar muitos culpados, a começar pelos de minha época que aceitaram a teologia destes malditos pregadores norte americanos como o Essek. M Kenyon, Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Benny Hinn, entre outros mercadores do mal. Lamentável é perceber que hoje os que criticam esta corja, no passado iam até aos aeroportos brasileiros festejar a chegada dos mesmos, estendendo o tapete vermelho. Os mesmos imbecis que iam às igrejas de porta em porta divulgar e vender os seus livros.
Ainda assim eu seria superficial não percebendo que este câncer em meio ao cristianismo é muito mais antigo. Ele veio tomando formas diferentes, em tempos diferentes, instituições diferentes, dançando na língua de pregadores diferentes. Teve sua forma maquiada na reforma, embalou-se no colo de movimentos carismáticos, contudo é certo que ele tem por caminho uma história muito anterior a qualquer um destes eventos. Sei que hoje a religião cristã esta doente sofrendo de uma diversidade de doenças e patologias, mas se buscarmos na história se descobrirá rastros de pessoas e pensadores que indicaram este mal há muito tempo tolerado. Tolstói, Nietzsche, Voltaire, Rousseau, David Hume, Vitor Hugo, Dostoievski, dentre outros tantos que poderiam ser citados, foram interpretados em seu tempo como inimigos da “igreja” e da religião. Foram tachados como Ateístas, pelo simples fato de criticarem ferozmente o mesmo problema.  Em seu tempo estes se negavam a aceitar as regras impostas pelas instituições religiosas vigentes, e acabaram por cair em abandono e marginalização. Como forma de cultivar a sua espiritualidade, encontraram na critica uma forma de gritar por socorro.  É fato que todos em seus recônditos buscaram expressar sua forma de fé, e muitos vieram a compor para Deus algumas das mais lindas orações escritas até hoje. Como exemplo cito parte deste texto de Nietzsche:
Antes de prosseguir no meu caminho
E lançar o meu olhar para frente
Uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti,
Na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
Tenho dedicado altares festivos,
Para que em cada momento
Tua voz me possa chamar.

Sobre esses altares está gravada em fogo
Esta palavra: “ao Deus desconhecido”
Eu sou Teu, embora até o presente
Me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou Teu, não obstante os laços
Me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
Sinto-me forçado a servi-Te.

Eu quero Te conhecer, ó Desconhecido!
Tu que me penetras a alma
E qual turbilhão invades minha vida.
Tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero Te conhecer e a Ti servir.

(Friedrich Nietzsche [1844-1900] em Lyrisches und Spruchhaftes [1858-1888].) Tradução: Leonardo Boff. O texto em alemão pode ser encontrado em Die Schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-1,2 ou em F. Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994)
Que Deus faça esta à oração de todos que em meio a este lamaçal teológico buscam sobreviver a este câncer. Diante de tantas crises e tumores que nos saltam aos olhos, que possamos sobreviver a este antigo mal que vulgarmente atribuímos o nome de “casa de Deus”, mas que nada mais é do que a institucionalização da religião.
Leandro Barbosa
Segue a pergunta e a resposta:


Tenho a muito percebido este mal, este engodo pelo qual nossas igrejas têm estado não tenho ido a nenhuma, embora isto possa de alguma forma prejudicar meus filhos (dez e sete anos), e por isto estou me sentindo um tanto perdida, pois é difícil alguém que tem um mínimo de senso e inteligência (ainda mais tendo já cursado teologia), sentir-se a vontade em meio a tanta mediocridade e hipocrisia. Estou meio perdida sobre o que fazer por estar em dúvida se ainda compensa levar meus filhos a esta igreja corrupta para ouvir msg corrompidas que nos são entregues por pastores confusos, medíocres, hipócritas e corruptos. Este é meu dilema, levo-os ou não? Me diz, o que você faria em meu lugar? 


 

Lutero tem um posicionamento muito interessante sobre este assunto, e eu compartilho dos mesmos pensamentos. Em certo momento ele foi questionado sobre o caso de cristãos não encontrarem uma congregação descente para participarem, e diante da pergunta ele se posicionou da seguinte maneira. Ele instruiu aquele grupo a na falta de um grupo e liderança saudáveis, o líder do lar deveria assumir a posição sacerdotal em seu lar, e instruir a sua família de forma equilibrada a uma espiritualidade saudável. Na questão de liderança espiritual Lutero era muito plural, e não fazia uma divisão clerical em sua visão sobre a igreja. Ele considerava que todos eram iguais na igreja de Cristo, existia apenas uma diferenciação de chamado. Usei este exemplo para exemplificar a minha opinião sobre o assunto. Assim como eu acredito que a espiritualidade é individual, também acredito que a verdadeira igreja acontece dentro de nós. Então assim como ela se desenvolve em nosso interior, nós a representamos e participamos da mesma em todos os lugares. A pergunta que fica é: Porque não tornar nosso lar parte desta igreja e desta espiritualidade?
Creio que dar testemunho, ser cordial, são coisas básicas que refletem nas pessoas a nossa volta, o que dirá aos mais próximos? Jesus disse que onde houvesse dois ou mais reunidos em seu nome, ali ele estaria. Porque não trazer Jesus para dentro de nossas conversas e vivencias familiares? Porque naqueles momentos difíceis na vida de nossos familiares, não debatemos ou tratamos de nossa espiritualidade como algo incluso a nossa essência? Porque não escolhemos um momento onde se faça uma refeição e em meio às conversas não façamos de forma natural o nosso momento com Deus? Não de forma metódica, religiosa, mas deixando naturalmente fluir sabendo que para Deus o todo de nossa vida é interessante, não só as que consideramos como “espirituais”. Creio que por mais que tentemos controlar o mundo a nossa volta, é ilusão pensar que ele está sobre controle. Assim como nós teremos de escolher o nosso caminho, um dia nossos familiares também o terão. E nesta caminhada o que fará diferença será o legado que deixamos como testemunho para estes, a forma como lhes falamos sobre Jesus, em principal a devoção que reconheceram em nós, e com certeza digo: Não há maior legado e herança do que este. Não somos responsáveis pelas escolhas de nossos filhos, mas somos responsáveis pelas opções que lhes ensinamos. Tem um texto bíblico que exemplifica bem isso, que é muito gasto por grande maioria das pessoas:
“Ensina o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Pv 22.6) 
Por mais engraçado e clichê que pareça, muitos interpretam este texto de forma errada. Eles crêem que se ensinarmos bem os filhos, (eles) não vão se desviar do caminho, mas se analisarmos o texto está falando o contrário. Ele diz que se ensinarmos bem o caminho, este (o caminho) não vai se desviar do menino. É o contrário! Por mais que amemos nossos filhos e desejemos o melhor, em um momento da vida eles farão as suas escolhas. A modelo de Cristo cabe a nós estarmos lá para auxiliá-los nas boas e nas más escolhas. Não é fácil a tarefa de educar e ensinar,  o melhor professor é aquele que faz do seu entorno uma forma de ensino. Lembre-se, a igreja não é apenas um grupo, ela é o todo! Quando entendemos isso, o mundo passa a ser a nossa igreja. Isso vale em especial para o nosso lar, os mandamentos não podem estar somente no papel, e sim devem estar em nosso coração para serem amados, e isso começa em casa. Espero ter ajudado!
Leandro

Priscila Anjo

10 set
Priscila, menina, pastora, mulher… anjo!
Rebelde, és como Lilith, não se deixa domar…
Indelével desejo crescente em ti… o saber,
Saber agir, saber viver, saber pensar… pensar!
Conceitos e preconceitos se esfacelam ante ti.
Linda menina, menina mulher.
Aurora do saber, brilho do luar, Priscila…
Aurora do luar… brilho do saber… anjo…
Negarás tua fonte a outrem? Não!
Jesus! Ele é tua fonte, tua aurora, teu saber…
Onde todos veem a Lei, teus olhos alcançaram nele, graça.
Anderson de Souza

Uma carta de repúdio aos pastores e a igreja

10 set

            Tenho recebido de muitos pastores e amigos evangélicos por e-mail e através de minhas redes sociais, pedidos para que assine eletronicamente um abaixo assinado (feito por vários pastores, cito entre eles o pastor Silas Malafaia), contra a tão discutida PL122. Quero deixar claro e em poucas palavras minha postura em relação à posição que a igreja (dita noiva de Cristo), tem tomado em relação a este assunto.
            Discordo totalmente e penso que a igreja tem agido de forma não só imprudente, mas tola, intolerante e separatista. Pergunto aos amados pastores e aos membros que insistentemente discutem comigo chegando à loucura de agredir a minha família (por meios de mensagens e e-mails que recebo), com palavras torpes e de baixo calão, se algum dia esteve preocupada ou envolvida na conversão destes hereges homossexuais? Seria esta a postura que Cristo tomaria? Pergunto aos amados pastores (que infelizmente terei que fazer algo que eu prometi a mim mesmo jamais tornar a fazer, mas que se faz necessário nesta amarga carta que escrevo), os muitos que se encontram acima de seu peso ideal, pois bem, pergunto aos pastores (glutões e beberrões), aos pastores que em sua maioria se preocupam em como arrancar mais ofertas e dízimos de sua membresia e pregam engodo e mentiras, distorcendo a Palavra em favor próprio, escondendo as verdadeiras nuanças da infindável Graça Divina, se Cristo agiria como os senhores têm agido e levado a maioria da igreja a agir? A igreja está preocupada em ganhar vidas ou em dizer e apontar o que é pecado? Só nos falta agora escolher a quem Deus deve perdoar e remir com o Sangue de seu precioso filho, Jesus, o mesmo que comia e bebia com pecadores (chegou a ser chamado de glutão e beberrão por conta disto), este mesmo Jesus, perdoou a uma prostituta, quando a lei era clara em apontar-lhe os erros e sentenciá-la ao apedrejamento. Agora percebo algo, JESUS FOI CHAMADO DE GLUTÃO e BEBERRÃO! Então meus amados pastores, os senhores também podem ser chamados assim, não é mesmo? Se meu mestre foi, porque eu também não posso ser? (perdoem-me a ironia, mas um sorriso sarcástico surgiu em meus lábios). Mas voltemos ao cerne, busco lembrar quando foi que Jesus usou de repúdio e negou-se a curar, amar e perdoar aos excluídos. Entre seus discípulos havia pescadores, cobradores de impostos, mas não havia fariseus (a única classe que realmente tirava Jesus do sério), e para mim a igreja de hoje tem agido da mesma forma que os fariseus agiam! Apontando os erros dos outros, julgando, faltando apenas dizer ao próprio Deus a quem ele deve ou não “deixar” entrar na nova Jerusalém ou céu, como queiram.
            Penso que a igreja deve estar envolvida na evangelização, em levar as boas novas, estar envolvida em causas humanitárias, ajudar aos necessitados. Mas não! A igreja não se preocupa com os mais necessitados de seu próprio meio, vai se preocupar com os de fora? (rsrs) jamais!
            Penso que se continuarmos com esta postura ridícula, poderemos fechar as portas após o horário do começo dos cultos e por uma placa com os dizeres: – IGREJA SANTA REUNIDA, UM GRUPO FECHADO QUE NÃO TEM MAIS LUGAR PARA PECADORES! Certa vez lembro-me de ter participado de um culto onde um missionário se travestiu de mendigo e um membro da igreja (não sabendo que era um missionário querendo trazer uma mensagem de como a igreja trata os excluídos), ofereceu-lhe dez reais para que ele fosse embora! É isto que somos? Foi para isto que Deus me elegeu e chamou desde antes da fundação do mundo? Para ser um acusador e só preocupar-me com meu umbigo? Minha benção? Hoje começamos com abaixo assinado contra gays, amanhã não se aceita usuário de drogas, depois de amanhã a quem excluiremos de nosso seleto e santo meio?
            Sinto-me forçado perguntar: – Onde foi que a igreja escondeu o Jesus que aceitava o perfume de prostitutas? Que comia e bebia com pecadores? Que perdoava os pecados? Onde a igreja escondeu o Jesus que viveu sua humanidade se misturando em meio a todos, sendo tocado e tocando, e não como João Batista que se isolou no deserto?
            A igreja de hoje prega Jesus, mas se isola como João Batista! Pensem nisto.
Anderson L. de Souza