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Quem escolhe? Deus ou nós?

22 nov

Essa pergunta tem levantado acirrados debates teológicos. Somos nós que escolhemos ser salvos ou é Deus, em Sua soberania, que escolhe quem Ele quer? Será que todos tem oportunidade de salvação?

A princípio talvez sua resposta seja: “somos nós que escolhemos, afinal todos tem oportunidade”. Mas será que é isso mesmo que a Bíblia ensina? Vamos analisar os textos bíblicos e depois você poderá responder com mais precisão.
A Bíblia não diz que Deus amou o mundo?

Sim, com certeza!

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

João 3:16 RA

E amar o mundo não significa escolher todas as pessoas do mundo?

Não! Veja o que Jesus falou sobre Seus discípulos:

“Se vocês fossem do mundo, o mundo os amaria por vocês serem dele. Mas eu os escolhi entre as pessoas do mundo, e vocês não são mais dele. Por isso o mundo odeia vocês.”

João 15:19 NTLH

Então não somos nós que escolhemos a Deus? É Ele que nos escolhe?

Exatamente. Assim Ele diz:

“Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem fruto e que esse fruto não se perca.”

João 15:16a NTLH

Quando Ele nos escolheu?

Antes da criação do mundo.

“Antes da criação do mundo, Deus já nos havia escolhido para sermos dele por meio da nossa união com Cristo, a fim de pertencermos somente a Deus e nos apresentarmos diante dele sem culpa…”

Efésios 1:4 NTLH

Mesmo sendo Deus que nos escolheu, será que Ele não nos escolheu por que sabia das nossas obras futuras?

Não, pois a salvação não depende das nossas obras, mas sim do plano e da graça de Deus.

“Deus nos salvou e nos chamou para sermos o seu povo. Não foi por causa do que temos feito, mas porque este era o seu plano e por causa da sua graça. Ele nos deu essa graça por meio de Cristo Jesus, antes da criação do mundo.”

2 Timóteo 1:9 NTLH

Tem algum exemplo na Escritura que mostre isso?

Sim, Jacó e Esaú são um bom exemplo de que Deus não leva em consideração as obras de ninguém na hora de escolher.

“Mas, para que a escolha de um deles fosse completamente de acordo com o plano de Deus,o próprio Deus disse a Rebeca: “O mais velho será dominado pelo mais moço.” Disse isso antes de eles nascerem e antes de fazerem qualquer coisa, boa ou má. Assim ficou confirmado que é de acordo com o seu plano que Deus escolhe aqueles que ele quer chamar, sem levar em conta o que eles tenham feito. Como dizem as Escrituras Sagradas: “Eu escolhi Jacó, mas rejeitei Esaú.”

Romanos 9:11 e 12 NTLH

Amar um e rejeitar outro antes de nascerem não é uma grande injustiça de Deus?

De modo nenhum. Veja:

“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.”

Romanos 9:14-16

Que direito Deus tem pra agir assim?

O direito que o Criador tem sobre aquilo que Ele cria.

“Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?”

Romanos 9:20 e 21

Mas por que Deus escolhe uns e não escolhe outros?

Porque quer mostrar o seu poder sobre os vasos da ira e também mostrar a sua glória nos vasos de misericórdia.

“E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição, para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?”

Romanos 9:22-24 RC

Acho que Deus pode escolher pessoas para muitas coisas, mas não para a salvação. Onde a Bíblia diz que é escolha para a salvação?

Em várias passagens das Escrituras, veja um exemplo:

“Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.”

2 Tessalonicenses 2:13 e 14 RA

Será que não foi por que eu quis buscar a Deus que Ele me deu a salvação?

Não, pois o homem natural, afastado de Deus, nunca o busca. Como está escrito:

“Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.”

Romanos 3:10-12 RC

Sim, mas eu tive fé. A minha fé não veio antes da escolha de Deus?

Não! Primeiro é preciso que Deus escolha a pessoa, para que então ela tenha fé.

“Pois esta é a ordem que o Senhor Deus deu a nós, o seu povo: “Eu coloquei você como luz para os outros povos, a fim de que você leve a salvação ao mundo inteiro.” Quando os não-judeus ouviram isso, ficaram muito alegres e começaram a dizer que a palavra do Senhor era boa. E creram todos os que tinham sido escolhidos para ter a vida eterna.”

Atos 13:47 e 48 NTLH

Mas a fé é minha ou é um dom de Deus?

A fé é um dom de Deus!

“Por causa da bondade de Deus para comigo, me chamando para ser apóstolo, eu digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu.”

Romanos 12:3 NTLH

E o meu arrependimento?

Até o arrependimento tem que ser concedido por Deus.

“E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se, porventura, Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em cuja vontade estão presos.”

2 Timóteo 2:24-26 RC

Então ninguém pode ser salvo se Deus não permitir?

Exatamente. Foi isso que Jesus falou.

“E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.”

João 6:65 RA

Há mais textos que falam isso?

Sim. Veja:

“Todos aqueles que o Pai me dá virão a mim; e de modo nenhum jogarei fora aqueles que vierem a mim. Pois eu desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou e não para fazer a minha própria vontade. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum daqueles que o Pai me deu se perca, mas que eu ressuscite todos no último dia.”

João 6: 37-39 NTLH

Então por que Jesus falou até por meio de parábolas? Não foi pra que todas as pessoas pudessem entender Sua mensagem?

Muito pelo contrário, Ele usou parábolas justamente para que os que não foram eleitos não entendam, não se arrependam e, conseqüentemente, não sejam perdoados.

“Jesus disse a eles: —A vocês Deus mostra o segredo do seu Reino. Mas para os que estão fora do Reino tudo é ensinado por meio de parábolas, para que olhem e não enxerguem nada e para que escutem e não entendam; se não, eles voltariam para Deus, e ele os perdoaria.”

Marcos 4:11 e 12 NTLH

Eu nunca tinha visto as coisas dessa forma. Pode me mostrar mais textos que mostrem isso?

Sim. O apóstolo Paulo, após falar sobre o povo de Israel e mostrar que mesmo dentro do povo escolhido haviam escolhidos, fala sobre a época da igreja:

“A mesma coisa também acontece agora, isto é, por causa da graça de Deus, ainda existe um pequeno número daqueles que ele escolheu. Essa escolha se baseia na graça de Deus e não no que eles fizeram. Porque, se a escolha de Deus se baseasse no que as pessoas fazem, então a sua graça não seria a verdadeira graça. E isso quer dizer que não foi o povo de Israel que encontrou o que estava procurando. Quem encontrou foi apenas um pequeno grupo que Deus escolheu; os outros não quiseram ouvir o chamado de Deus. Como dizem as Escrituras Sagradas: ‘Deus endureceu o coração e a mente deles; deu-lhes olhos que não podem ver e ouvidos que não podem ouvir até o dia de hoje.’ ”

Romanos 11:5-8 NTLH

Deus endurece o coração e a mente das pessoas?

Sim, Ele endurece o coração e a mente de quem quer quando isso é necessário para cumprir Seu plano.

“Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados.”

João 12:40 RA

Pode mostrar algum exemplo disso na Bíblia?

Sim. Faraó é um bom exemplo de alguém que teve o coração endurecido por Deus.

“Porém o SENHOR endureceu o coração de Faraó, e não os ouviu, como o SENHOR tinha dito a Moisés.”

Êxodo 9:12 RC

“Porque, como está escrito nas Escrituras Sagradas, Deus disse a Faraó: “Foi para isto mesmo que eu pus você como rei, para mostrar o meu poder e fazer com que o meu nome seja conhecido no mundo inteiro.” Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer e endurece o coração de quem ele quer.”

Romanos 9:17 e 18 NTLH

Tenho uma dúvida: Judas Iscariotes era um escolhido?

Não, Judas não era um escolhido. Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus fala que eles foram escolhidos, exceto Judas.

“Eu afirmo a vocês que isto é verdade: o empregado não é mais importante do que o patrão, e o mensageiro não é mais importante do que aquele que o enviou. Já que vocês conhecem esta verdade, serão felizes se a praticarem. —Não estou falando de vocês todos; eu conheço aqueles que escolhi. Pois tem de se cumprir o que as Escrituras Sagradas dizem: ‘Aquele que toma refeições comigo se virou contra mim’. Digo isso a vocês agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês creiam que ‘EU SOU QUEM SOU’.”

João 13:16-19 NTLH

Pedro fala que Judas se desviou para ir para o seu próprio lugar.

“E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor do coração de todos, mostra qual destes dois tens escolhido, para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar.”

Atos 1:24 e 25 RC

Isso quer dizer que algumas pessoas já estão predestinadas para a condenação?

Veja:

“Porque se introduziram furtivamente certos homens, que já desde há muito estavam destinados para este juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.”

Judas 4 RC

Se é assim, então quer dizer que Deus criou essas pessoas para serem condenadas?

Exatamente.

“O Senhor fez tudo para um fim; sim, até o ímpio para o dia do mal.”

Provérbios 16:4 RC

Existem muitos escolhidos?

Jesus disse que não.

“Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.”

Mateus 22:14 RC

E os escolhidos podem perder a salvação?

Não, pois ninguém pode arrebatar as ovelhas da mão de Jesus, e nada pode nos separar do amor de Deus, pois é Ele que nos justifica.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.”

João 10:27-29 RA

“Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Romanos 8:38 e 39 RA

“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica.”

Romanos 8:33 RA

Mas há pessoas que abandonaram a fé cristã. Elas não perderam a salvação?

Não, pois na verdade nunca foram salvas. A Bíblia diz que são como porcas que foram lavadas e voltaram para a lama. Jesus diz que nunca conheceu essas pessoas. Mesmo que tenham feito milagres, expulsado demônios e profetizado em Seu nome, nunca foram Dele.

“Portanto, aqueles que chegaram a conhecer o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e que escaparam das imoralidades do mundo, mas depois foram agarrados e dominados por elas, ficam no fim em pior situação do que no começo. Pois teria sido muito melhor que eles nunca tivessem conhecido o caminho certo do que, depois de o conhecerem, voltarem atrás e se afastarem do mandamento sagrado que receberam. O que aconteceu a essas pessoas prova que são verdadeiros estes ditados: ‘O cachorro volta ao seu próprio vômito’ e ‘A porca lavada volta a rolar na lama’.”

2 Pedro 2:20-22 NTLH

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.”

Mateus 7:21-23 RA

E o que acontecerá com aqueles que morreram sem conhecer a Palavra de Deus?

Perecerão, pois a única forma de salvação é a fé em Cristo.

“Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.”

Romanos 2:12 RC

“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.”

João 14:6 RA

“E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.”

Atos 4:12 RA

Pode citar mais textos que falam sobre o assunto?

Sim. Aí estão:

“… havendo sido predestinados, conforme o propósito dAquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da Sua vontade; com o fim de sermos para louvor da Sua glória …”

Efésios 1:11-12

“Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus; porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder … e vós fostes feitos nossos imitadores …”

1 Tessalonicenses 1:4-6

“… tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus …”

2 Timóteo 2:10

“… segundo a fé dos eleitos de Deus …”

Tito 1:1

“Mas vós sois a geração escolhida … o povo adquirido …”

1 Pedro 2:9

“… vencerão os que estão com Ele, chamados, e eleitos, e fiéis.”

Apocalipse 17:14

“Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste.”

João 17:2

“Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês; portanto, ninguém pode se orgulhar de tê-la.”

Efésios 2:8 e 9

“… o qual, tendo chegado, aproveitou muito aos que pela graça criam.”

Atos 18:27

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.”

Romanos 8:28-30

“Ouvindo isto, os discípulos ficaram grandemente maravilhados e disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo? Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível”.

Mateus 19:25 e 26

“Para ele, os seres humanos não têm nenhum valor; ele governa todos os anjos do céu e todos os moradores da terra. Não há ninguém que possa impedi-lo de fazer o que quer; não há ninguém que possa obrigá-lo a explicar o que faz.”

Daniel 4:35

“Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu sou o Senhor, que faço todas estas coisas.”

Isaías 45:7

“Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.”

Mateus 11:27

“Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.”

Filipenses 2:13

Nesse estudo aprendemos que é Deus quem nos escolhe, e nos escolhe entre as pessoas do mundo. Descobrimos que Ele opera em nós tanto o querer quanto o efetuar, que é poderoso para endurecer o coração de quem quer, e ter misericórdia de quem quer, pois, assim como um oleiro, Ele tem poder sobre o barro para, da mesma massa, fazer um vaso para honra e outro para desonra, segundo a Sua vontade.

Vimos também que a escolha foi feita antes da criação do mundo, e não levou em conta as nossas obras, nem boas nem más. Deus fez Sua escolha de acordo com o Seu plano. O homem natural não pode nem quer buscar a Deus, pois a própria fé é um dom de Deus, e o arrependimento tem que ser concedido por Ele.

Aqueles que o Pai deu a Jesus inevitavelmente irão a Ele, e os que vão a Ele jamais serão lançados fora. Os eleitos nunca perecerão, pois ninguém pode arrebatar as ovelhas da mão de Jesus e da mão do Pai.

Espero que você seja fortalecido na fé em saber que é de Deus que depende a nossa salvação, e que Ele merece todo o crédito e todo o mérito pela obra realizada em nós.

Glória somente a Deus!

Por Tiago Vieira

“DECRETUM HORRIBILE” como explicar a preterição.(Pr. Pedro Rocha)

15 mar

A
LÓGICA DA PRETERIÇÃO: COMO EXPLICAR O “DECRETUM HORRIBILE”

A doutrina da preterição ou simplesmente reprovação
é uma doutrina bastante desagradável para o sentimentalismo humano. Nem
todos os que aceitam a doutrina da eleição, se acham à vontade quando o
assunto é a reprovação, ou preterição. Mesmo Calvino, estava consciente
da profundidade desta doutrina. E chegou a chamá-la de “Decretum
horribile”. Mas a dificuldade desta doutrina não pesa somente sobre os
calvinistas, mas sobre todas as escolas teológicas. Apesar das
dificuldades em aceitação desta doutrina e dos muitos adversários que se
tem levantado contra ela no decorrer dos séculos, ela está lá e
permanece palmilhada nas páginas das Escrituras. A doutrina da
reprovação é uma conseqüência lógica da doutrina da eleição. Ao, se Deus
não escolheu todos, logo alguém foi rejeitado ou reprovado. Mas tudo
depende de como se encara e se argumenta sobre o assunto.

1.
Nossa dificuldade de compreensão do pecado: O pecado é um fato
incontestável. Todo aceitou isso, porém temos dificuldades de
compreender o mal ou a permissão de Deus para o pecado no gênero humano.

2.
Deus odeia o pecado e sua justiça exige que os pecadores sejam punidos:
Ninguém que conhece a Bíblia, nega tal verdade; Deus tem o direito de
punir os transgressores da sua lei, e podia condenar todos, uma vez que
todos pecaram, sem com isso ser taxado de um Deus injusto.

3. Uma
pergunta que merece uma resposta: Deus foi injusto em reprovar os
transgressores de sua santa vontade? Ora, se admitimos que Deus fosse
justo à condenação dos pecadores, temos que admitir que Deus também
fosse justo ao condenar os não eleitos, que são pecadores.

4. Os
arminianos não têm dificuldade em aceitar a reprovação, ou rejeição dos
anjos caídos, para os quais Deus não fez nenhuma provisão ( 2 Pd 2.4).
Vemos que alguns não têm repugnância à reprovação destes anjos e até
glorificam a Deus, mas quanto aos homens, (que também não caíram por
culpa de Deus, mas de um ato voluntário de sua vontade, portanto
merecedor é do castigo de Deus), somos relutantes em aceitar esta
doutrina na vida destes homens.

5. A reprovação é um ato negativo
de Deus: Diferentemente da eleição, que é um ato positivo de Deus, pelo
qual ele escolhe, do meio da massa perdida do gênero humano, certo
número de pessoas para a salvação; a reprovação é um ato negativo de
Deus, pelo qual ele deixa que o resto da humanidade, em seus pecados
sofra as conseqüências de sua desobediência. Neste caso “os eleitos são
monumentos da graça. Os não eleitos serão uma revelação de sua justiça”.

6.
Prova da doutrina da reprovação: Todos os argumentos que provam a
eleição provam igualmente a reprovação, como já mencionamos a reprovação
é a conseqüência lógica da eleição. Vejamos:

1. A
regeneração é um ato soberano e poderoso de Deus. Somente Deus pode
regenerar. Se ele não regenera a todos, claro que não é seu propósito
fazê-lo, logo ele decidiu não eleger todos. Neste caso houve reprovação
de alguns.

2. Nem todos vão a Cristo. E sabemos pelas
palavras do próprio Cristo que “ninguém pode vir a mim se o Pai que me
enviou não o trouxer” (Jo 6.44). Se todos não vem a Cristo é porque ele
não leva todos a ir a Cristo. Logo alguém está reprovado aqui.

3.
A fé é uma dádiva de Deus, se todos os homens não a recebem, é
claro que Deus decidiu não conceder a todos. Jesus falava aos judeus que
o rejeitavam: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.”
(Jo 10.26). E quem são suas ovelhas? A resposta está em Jo 10.29,
aqueles que o Pai lhe deu.

4. Deus deu a Cristo um povo
especial, a quem ele escolheu “do mundo”. E estes e ninguém mais são
objetos da sua oração intercessora em João 17.9: “Eu rogo por eles; não
rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus”.
Sendo assim é claro que o resto do mundo não foi contemplado, não foi
dado a Cristo. Neste caso temos a reprovação do restante.

5. O
caso dos cidadãos de Tiro, Sidom e Sodoma em Mateus 11.21-24: “Ai de
ti, Corazin! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom, se
tivessem operado os milagres que em vós se operaram, há muito elas se
teriam arrependido em cilício e em cinza. Contudo, eu vos digo que para
Tiro e Sidom haverá menos rigor, no dia do juízo, do que para vós. E tu,
Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? até o inferno descerás;
porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se
operaram, teria ela permanecido até hoje. Contudo, eu vos digo que no
dia do juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti.”
Apesar de Deus prever o arrependimento destas pessoas, não lhes deu uma
oportunidade de se arrependerem. Isso prova duas coisas: Primeiro que
arrependimento previsto não serve de base para Deus eleger ninguém.
Segundo se Deus não lhes deu uma oportunidade de ver os milagres de
Cristo para que eles se arrependessem, segue-se que foram rejeitadas,
não foram contempladas. Há injustiça em Deus por condenar o povo
corrupto de Sodoma? Certamente que não.

6. Existem dois
grupos de pessoas da qual a Bíblia fala com respeito a nomes arrolados
no livro da vida. A primeira diz respeito aos eleitos, assim lemos as
seguintes passagens das Escrituras:

“Contudo, não vos alegreis
porque se vos submetem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os
vossos nomes escritos nos céus.” (Lc 10.20)

“E peço também a ti,
meu verdadeiro companheiro, que as ajudes, porque trabalharam comigo no
evangelho, e com Clemente, e com os outros meus cooperadores, cujos
nomes estão no livro da vida.” (Fp 4.3)

No segundo grupo a Bíblia
fala daqueles “cujos nomes não foram escritos no livro da vida do
Cordeiro” (Ap 13.8)

7. Inúmeras referências nas Escrituras
descrevem a decisão divina a respeito dos não eleitos, a qual passo a
demonstrar a baixo.

“E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a
terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi
morto desde a fundação do mundo.” (Ap 13.8)
· “E que direis,
se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder,
suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a
perdição”. (Rm 9.22)

“Porque se introduziram furtivamente certos
homens, que já desde há muito estavam destinados para este juízo, homens
ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o
nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.” (Jd v.4)

“E: Como
uma pedra de tropeço e rocha de escândalo; porque tropeçam na palavra,
sendo desobedientes; para o que também foram destinados. (1 Pd 2.8)

“Pois
quê? O que Israel busca isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram;
e os outros foram endurecidos”. (Rm 11.7). Observe a conclusão clara do
apóstolo. Há dois grupos aqui, “os eleitos”, e “os outros”. Também há
aqui dois resultados: os eleitos “alcançaram”. Os outros foram
“endurecidos”. Isso é reprovação.

8. Quando Paulo pregou em
Filipos para um grupo de mulheres, somente Lídia se converteu. E a
Bíblia diz por que Lídia se converteu. Atos 16.14: “E certa mulher
chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que temia a
Deus, nos escutava e o Senhor lhe abriu o coração para atender às
coisas que Paulo dizia”. Todas as mulheres ouviram a chamada geral do
Evangelho, mas somente Lídia recebeu a chamada eficaz. É o mesmo caso de
Atos 13.48: “Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a
palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a
vida eterna.” Ora, se é Deus quem abre o coração para entender à
Palavra, se crê os que são destinados para a vida eterna, e ele não
fazem isso com todos, logo se segue que há uma reprovação de certo grupo
de pessoas, mesmo elas ouvindo o evangelho, pela chamada geral. Isso
confirma as palavras de Jesus: “Porque muitos são chamados, mas poucos
escolhidos” (Mt 22.14).

9. A Bíblia dá testemunho de pessoas
cujos corações Deus endureceram: Um exemplo clássico deste endurecimento
de coração é Faraó. Vejamos o que a Bíblia nos informa sobre este caso.

9.1.
O endurecimento de Faraó:
Ø “Eu, porém, endurecerei o coração
de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas
maravilhas.” (Ex 7.3)
Neste texto temos uma afirmação de Deus, que
ele endureceu o coração de Faraó. Mas isso não quer dizer que Deus foi à
causa eficiente do endurecimento do coração dele, mas que Deus o
entregou à perversão de seu próprio coração. Pois lemos em Êxodo 8.15:
“Mas vendo Faraó que havia descanso, endureceu o seu coração, e não os
ouviu como o Senhor tinha dito.” O endurecimento do coração de Faraó foi
um ato de misericórdia de Deus. Cada vez que vinha uma praga, ele
confessava “pequei” (Ex 9.27). Mas tão logo a praga era retirada, Faraó
endurecia o coração. Deus poderia e somente Ele poderia abrandar aquele
coração, mas Deus não fez. Ele recusou conceder-lhe sua graça
regeneradora, e Deus tinha todo direito de proceder assim. Primeiro
porque Faraó antes da intervenção miraculosa de Deus no Egito, ele já
era um pecador, portanto merecedor da ira de Deus. Segundo, porque graça
é favor imerecido, ninguém merece, ou fez por merecer. É favor de Deus e
Ele a dá a quem quiser. “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de
Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me
aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter
compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre,
mas de Deus que usa de misericórdia.”. (Rm 9.14-16)

9.2. Os
filhos de Eli: “Todavia eles não ouviram a voz de seu pai, porque o
Senhor os queria destruir.” (1 Sm 2.25). A atitude de Deus foi de todo
negativa para eles. Deus decidiu não secundar o conselho do pai com a
operação eficaz de sua graça, e o fez com um fim determinado: “os queria
destruir”.

9.3. O caso dos gentios de Romanos 1.28: “E assim
como eles rejeitaram o conhecimento de Deus, Deus, por sua vez, os
entregou a um sentimento depravado, para fazerem coisas que não convêm.”
Alguém poderia objetar dizendo que foram entregues porque antes
assumiram uma decisão de rejeitar. Não. Eles rejeitaram porque são
pecadores. Quem na face da terra não rejeitou ou ainda rejeita o
conhecimento de Deus? Somente aqueles que já foram agraciados com a
graça regeneradora, ou seja, os eleitos.

“Em todos os reprovados
há uma cegueira e endurecimento pertinaz de coração. E quando de alguns
deles, como Faraó, se diz que Deus os endureceu, podemos ficar certos
que em si mesmos já são dignos de ser entregues a Satanás. Os corações
dos ímpios nunca, naturalmente, são endurecidos por influência direta de
Deus, – Ele simplesmente permite que alguns cedam aos maus impulsos já
existentes em seus corações, de modo que, como resultado da própria
escolha deles, torna-se cada vez mais calejados e obstinados”.

10.
Justiça da Reprovação: A primeira impressão que temos da doutrina da
reprovação é há nela injustiça. Todos perguntam: “Se Deus escolheu uma
parte e deixou o restante a perecer, porque ele não escolheu todos?”
Suas imediatas conclusões são: “Ele foi injusto para com aqueles que não
escolheram”. Paulo refuta esta objeção em sua doutrina da reprovação
com as palavras abaixo: “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de
Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me
aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter
compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre,
mas de Deus que usa de misericórdia.”. (Rm 9.14-16)

1). Como a
Bíblia apresenta a humanidade: Toda esta doutrina repousa sobre o
princípio da precedente doutrina do pecado original e da total
incapacidade. Sustentamos o seguinte:

1. Que Deus criou o
homem originalmente à sua própria imagem e semelhança, em conhecimento,
retidão e santidade, imortais e investidos do domínio sobre as
criaturas, dotado de perfeita liberdade da vontade, possuindo
espontaneidade e capacidade de autodeterminação, com poder de escolher o
bem e o mal, e de assim determinar seu próprio caráter;
2. Adão
pecou voluntariamente, sob a tentação do Diabo, e assim caiu do estado
em que fora criado;
3. Que a conseqüência deste pecado sobre
Adão foi à corrupção de toda a sua natureza, de sorte que ele tornou-se
espiritualmente morto, e por isso mesmo indisposto, incapacitado e
oposto a todo o bem espiritual. Além desta morte ele se fez mortal e
passível de todas as misérias desta vida e da morte eterna;
4.
Devido à união entre Adão e seus descendentes, as mesmas conseqüências
de sua transgressão lhes sobrevieram;
5. Tal inerente e
hereditária depravação são verdadeira e propriamente da natureza do
pecado;
6. Que a regeneração, ou a vocação eficaz, é uma ação
supranatural do Espírito Santo, no qual a alma é o sujeito e não o
agente; que é soberana, concedida ou retida segundo o beneplácito de
Deus, fazendo assim a salvação ser um dom gratuito de Deus.

Paulo
nos faz silenciar diante de nossa culpa: “Que se cale toda boca, e todo
o mundo seja culpável perante Deus” (Rm 3.19).

2). A eleição
e a reprovação procedem de fundamentos diferentes: A primeira procede
da graça de Deus, a segunda, do pecado do homem. O fato de Deus escolher
salvar alguém independentemente de seu caráter e demérito, não
significa que ele escolhe condenar pessoas a despeito do caráter ou
merecimentos delas. A base da eleição é a graça. A base da reprovação é o
pecado. Agostinho faz o seguinte comentário sobre este assunto: “A
condenação cabe aos ímpios por uma questão de dívida, justiça, e
merecimento, ao passo que a graça, concedida aos que são libertos, é
livre e não merecida, de modo que o pecador condenado não pode alegar
que não merece esse castigo, nem o piedoso pode gabar-se ou
vangloriar-se, como se fora digno de sua recompensa.”

11. A
razão da Reprovação: Paulo, terminando sua exposição sobre este assunto
exclamou: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da
ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão
inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do
Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele,
para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são
todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.33-36).
Isso significa que Deus não nos dá a conhecer as razões pelas quais
decidiu reprovar uma parte do gênero humano, não a contemplando, para
que pereça em seus pecados. Sabemos que ele escolheu uns e reprovaram
outros. Ele deve ter tido boa e justa razão que não revelou, mas que um
dia compreenderemos. Mas pelo pouco que conhecemos de Deus, podemos ter
uma vaga idéia da razão pela qual existem estas duas doutrinas: a
eleição e a reprovação. A primeira pode ser para dar a conhecer da sua
misericórdia, a segunda, para dar a conhecer da sua justiça. Se todos os
membros da raça humana se salvassem, não saberíamos apreciar o valor de
nossa salvação. Pois não haveria um contraste para medí-la. Pelo
contraste de nossa glória e bem-aventurança com a vergonha e a
condenação dos perdidos, compreendemos melhor a grandeza da nossa
salvação. Além disso, no julgamento dos condenados veremos a santidade e
a justiça de Deus. E a condenação deles redundará no louvor da justiça
de Deus, enquanto que a salvação dos eleitos resultará no louvor de sua
graça.

PREDESTINAÇÃO, A ELEIÇÃO!(Por Pr. Pedro Rocha)

13 mar

ELEIÇÃO:
O LADO POSITIVO DA PREDESTINAÇÃO

1. ELEIÇÃO: “A Eleição se refere ao decreto divino
de escolher, dentre a humanidade condenada, certos indivíduos para serem
beneficiários do Dom gratuito da salvação. Deus fez isso sem referência
aos méritos, ao estado da vontade, ou a fé prevista dos eleitos.” (3)

1.1.A
importância da Eleição: A Eleição é como uma luz que ilumina o
significado da palavra "graça". Sem ela, a graça é entendida como a
recompensa por alguma atividade ou disposição humana, e não como a causa
desta disposição. Se a definição correta da palavra "graça" é "um favor
imerecido", então a graça tem que ser independente de qualquer
atividade humana. No momento em que aceitamos este conceito, entendemos
porque a graça e a eleição são inseparáveis. Não é lógico proclamar a
doutrina da salvação pela graça enquanto negamos que a Eleição o seja.
Paulo expressou esta unidade com estas palavras: "Assim pois também
agora, no tempo de hoje sobrevive um remanescente segundo a eleição da
graça.”(Rm 11:5)1.2. A Bíblia fala de diferentes tipos de eleição:
Vejamos alguns:

1. Eleição para serviço ou testemunho: Deus elege
certas pessoas ou nação, como no caso de Israel, para serem suas
testemunhas diante dos homens dando a eles oportunidade de conhecer ao
Senhor e serem nele abençoados. No caso de Abraão e sua posteridade há
pelo menos três razões desta escolha : 1).Manter acessa uma luz de
conhecimento do verdadeiro Deus no mundo. Se não fora Israel este
conhecimento teria desaparecido da terra. (2).Deus queria se revelar ao
mundo por meio de Israel. Este povo foi o depositário dos “oráculos de
Deus” (Rm 3.1,2). (3).Deus quis por meio deles enviar o Salvador ao
mundo. “A salvação vem dos judeus”, disse Jesus (Jo 4.22).

2.
Eleição de nações e comunidades para o conhecimento e para os
privilégios do Evangelho: Este tipo de eleição tem sido chamado de
“Eleição Nacional”. Tal eleição pode ser exemplificada na nação judaica,
no passado, e em certas nações européias, assim como na América, na era
cristã. É inegável que Deus concedeu privilégios a Israel, que não
concedeu a nenhuma outra nação no passado, bem como é inegável que Deus,
durante a era Cristã tem, dado oportunidades a certas nações que
recusou a outras. Quando o Espírito Santo impediu Paulo de anunciar o
evangelho na Ásia e teve a visão de um homem da Europa, uma parte do
mundo foi soberanamente excluída do anúncio do evangelho, e outra parte
soberanamente foi dada os privilégios do evangelho (At 16.6-10). Samuel
Falcão em seu livro “Predestinação”, citando o Dr. Boettner, escreve:
“A disparidade relativamente aos privilégios espirituais nas diferentes
nações só se deve atribuir ao beneplácito de Deus”(4).

3.
Eleição para serviço no sentido mais geral: Há certas pessoas a quem
Deus dá talentos especiais e coloca em posições de grandes
responsabilidade. Por exemplo, os magistrados (Rm 13.1-7), de acordo com
Paulo eles são eleitos por Deus para exercerem autoridade no interesse
coletivo. Deus tem um plano para cada ser humano e de acordo com este
plano ele dá talentos especiais ou inclinações, que os capacitam para
sua vocação especial. Todavia ninguém pode reclamar com Deus, como
escreve Paulo: “Quem és tu ó homem ,para discutires com Deus? Porventura
pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?” (Rm
9.20).

4. Eleição para a Salvação: Esta é a mais importante de
todas. Ela é ensinada tanto no Velho como no Novo Testamento. Neste caso
pode-se dizer que a eleição é o propósito de Deus, de salvar certos
membros da raça humana, em Jesus Cristo e por meio de Jesus Cristo.

1.3.
As características da Eleição:

1. É uma expressão da vontade
soberana de Deus, do beneplácito divino: Isso exclui a idéia de que a
eleição é determinada por alguma coisa existente no homem, como a fé ou
as boas obras previstas.

· “(pois não tendo os gêmeos
ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de
Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas
por aquele que chama.” (Rm 9.11)

2. É imutável e, portanto torna
segura e certa a salvação dos eleitos: Pela obra salvadora em Jesus
Cristo, Deus executa o decreto da eleição com a sua própria eficiência.
Como é de seu propósito que certos indivíduos creiam e perseveram até o
fim, Deus mesmo assegura este resultado pela obra objetiva de Cristo e
pelas operações subjetivas do Espírito Santo.

· “Porque
os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à
imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos
irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a
estes também justificou; e aos que justificou, a estes também
glorificou.” (Rm 8.29,30)

· “Todavia o firme fundamento
de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os seus, e:
Aparte-se da injustiça todo aquele que profere o nome do Senhor.” ( 2 Tm
2.19)

3. É eterna: “Assim como nos escolheu nele antes da
fundação do mundo” (Ef 1.4).Outras referências tais como Mt 25.34; Rm
8.29; Ef 1.5,9;2 Tm 1.9; Ap 13.8, ensinam explicitamente que a eleição
não ocorre no tempo, mas na eternidade. A eleição jamais deve ser
identificada com alguma seleção temporal, mas, antes, deve ser
considerada eterna.

4. A eleição é incondicional: O ponto de
vista que a eleição teve lugar na eternidade, mas que foi tendo em vista
o arrependimento previsto e fé carece de apoio das Escrituras. De
acordo com este ponto de vista, Deus, na eternidade, olhou através dos
séculos e viu quem ia se arrepender e crer, e estes que Ele viu de
antemão foram eleitos para a salvação. Este ponto de vista está correto
só em um ponto, que é: a eleição teve lugar na eternidade. Mas está
errado quando faz a base da eleição ser algo no pecador, em vez de
alguma coisa em Deus. Leia Efésios 1:4-6, onde diz que a eleição e
predestinação são "segundo o beneplácito de Sua vontade" e "para louvor e
glória de Sua graça". Desde que os homens são todos pecadores e
perderam o direito às bênçãos de Deus, não há base para esta distinção
neles. Tanto a fé como as boas obras na vida do crente, são frutos da
graça de Deus. Leiamos a Bíblia:

· “(pois não tendo os
gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o
propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa
das obras, mas por aquele que chama.” (Rm 9.11)

· “Os
gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e
creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.” (At
13.48)

1. É irresistível: Sobre este ponto fica mais claro
falar sobre o que não estamos dizendo. A eleição é irresistível em que
sentido ?
1. Não significa que o homem não possa opor-se à sua
execução até certo ponto. Os que se dizem salvos hoje, não aceitaram o
Evangelho no primeiro apelo que lhe fizeram, resistiram por um certo
ponto.
2. Não significa que Deus na execução de seu decreto,
subjuga a vontade humana de tal modo que este indivíduo não saiba da
decisão que está tomando. Os salvos resistiram até certo ponto, mas
houve um momento em que sentiram como Daniel, “tocados pela mão de
Deus”.
3. Significa sim que por mais que o homem resista, sua
oposição não prevalecerá contra o propósito de Deus.
4. Também
significa, que Deus exerce e exercerá tal influência sobre o espírito
humano, que o levará a querer o que Deus quer. Isso está de acordo com
as Escrituras a abaixo.
· “O teu povo apresentar-se-á
voluntariamente no dia do teu poder, em trajes santos; como vindo do
próprio seio da alva, será o orvalho da tua mocidade.” (Sl 110.3)

·
“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o
efetuar, segundo a sua boa vontade”.(Fp 2.13)

6. A eleição não
merece a acusação de injustiça: Esta é uma das objeções mais comum nesta
doutrina. Mas o fato de Deus escolher alguns e os demais são deixados
em seu pecado, agindo para sua própria e justa condenação, não pode
pesar a culpa de injustiça por parte de Deus. Só podemos falar de
injustiça quando uma parte pode reivindicar algo de outra. O pecador não
tem direito a salvação e ao perdão de Deus. Ao pecar ele perdeu o
direito às bênçãos de Deus. Como o homem não tem direito a salvação, mas
a morte, Deus não tem a obrigação de salvar este homem. Logo o que este
homem pode exigir de Deus? Nada. Se Deus devesse salvação e perdão a
este homem, seria injustiça Deus salvar apenas alguns. Portanto salvação
não é questão de justiça, mas de misericórdia. Pelo menos é isso que
Paulo entendia. Veja:
“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de
Deus? De modo nenhum. Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me
aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter
compaixão. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre,
mas de Deus que usa de misericórdia.”. (Rm 9.14-16)

1.4. O
propósito da eleição: Existe um duplo propósito na eleição. Sendo:
1.
O propósito próximo é a salvação dos eleitos: A Bíblia ensina que o
homem é escolhido, ou eleito para a salvação.
Ø “Pois quê? O
que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram; e os
outros foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu um espírito
entorpecido, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até o dia
de hoje. E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, e
em tropeço, e em retribuição; escureçam-se-lhes os olhos para não
verem, e tu encurva-lhes sempre as costas. Logo, pergunto: Porventura
tropeçaram de modo que caíssem? De maneira nenhuma, antes pelo seu
tropeço veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação.”(Rm
11.6-11)

Ø “Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por
vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o
princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade.” (2 Ts
2.13)

2. O objetivo final é a glória de Deus: Tudo o que Deus
faz, ele o faz para a sua glória.

Ø “Bendito seja o Deus e
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as
bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos
elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos
filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito
de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu
gratuitamente no Amado.” (Ef 1.3-6)

Fica evidente que o eleito, é
eleito para a salvação e esta salvação resulta na glória de Deus. 

extraído do blog conversa teologóca

PREDESTINAÇÃO, O AUTOR (por Pr. Pedro Rocha)

8 mar

O
AUTOR E OS OBJETOS DA PREDESTINAÇÃO

1. Autor: O decreto da predestinação é “um ato concomitante das três
pessoas da Trindade, que são uma só em seu conselho e sua vontade. Mas
na economia da salvação, como nos é revelada na Escritura, o ato
soberano de predestinação é atribuído mais particularmente ao Pai”.(1)
Observe os textos a baixo:

Ø “ Manifestei o teu nome aos
homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu mos deste; e guardaram a
tua palavra…Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que
me tens dado, porque são teus”. (Jo 17.6,9)

Ø “Porque os
que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem
de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.
(Rm 8.29)

Ø “(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem
tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a
eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que
chama),.. foi-lhe dito: O maior servirá o menor… Como está escrito:
Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.” (Rm 9.11-13)

Ø “Como
também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor”. (Ef 1.4)

Ø “E nos
predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si
mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade…nele, digo, no qual também
fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito
daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade.” (Ef
1.5,11)

Ø “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na
santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de
Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.” (1 Pd 1.2)

2.
Os objetos: O decreto da predestinação inclui todas as criaturas
racionais. Sendo: Todos os homens, bons e maus; Os anjos, bons e maus e
Cristo como Mediador. Vamos analisar por parte:

2.1. Todos os
homens, bons e maus: Esta predestinação nos é ensinada nas Escrituras,
não apenas como grupos, mas também como indivíduos. Os textos a baixos
nos leva a esta conclusão. ( At 4.28; Rm 8.29,30: 9.11-13: Ef 1.5,11)

2.2.
Todos os anjos, bons e maus: Temos menção na Bíblia de anjos santos (Mc
8.38; Lc 9.26), de anjos ímpios, que não conservaram o seu estado
original (2 Pd 2.4: Jd 6), mas também faz menção de anjos eleitos em 1
Tm 5.21: “Conjuro-te diante de Deus, e de Cristo Jesus, e dos anjos
eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo com
parcialidade.” Como podemos conceber a predestinação dos anjos ? Os
Batistas deste 1689 já criam na predestinação tanto dos homens, quanto
dos anjos. Na Confissão Batista de Londres lemos: “Pelo decreto, e para
manifestação da glória de Deus, alguns homens e alguns anjos são
predestinados (ou preordenados) para a vida eterna através de Jesus
Cristo,7 para louvor da sua graça gloriosa.8 Os demais são deixados em
seu pecado, agindo para sua própria e justa condenação; e isto para
louvor da justiça gloriosa de Deus. Os anjos e homens predestinados (ou
preordenados) estão designados de forma particular e imutável, e o seu
número é tão certo e definido que não pode ser aumentado ou diminuído.”
(2)
A). O que vem significar esta predestinação dos anjos ?
1.
Para alguns, significa simplesmente que Deus determinou de modo geral
que os anjos que permanecessem santos seriam confirmados num estado de
bem-aventurança, ao passo que os demais estariam perdidos. Tal idéia não
harmoniza com a visão bíblica da predestinação.
2. A verdade é
que Deus, decretou dar a um certo número de anjos, uma grande capacidade
para permanecerem santos, uma graça especial da perseverança; e privar
desta graça os demais.

B). A diferença da predestinação dos
homens e dos anjos: Quanto a predestinação dos homens, Deus escolheu
certo números de homens dentre a multidão dos caídos. Enquanto que na
predestinação dos anjos, Deus não esperou a queda deles para depois
escolher os eleitos. Também os homens foram eleitos ou predestinados
tendo Cristo como Mediador, ao passo que os anjos foram eleitos ou
predestinados tendo Cristo como Chefe, isto é, para estarem em relação
ministerial com ele.

2.3. Cristo predestinado como Mediador: Ele
é objeto da predestinação nos seguintes sentidos:

A). Havia um
amor especial do Pai, distinto do seu amor usual ao Filho, desde toda
eternidade.

· “Qual, na verdade, foi conhecido ainda
antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de
vós.” ( 1 Pd 1.20)

· “e, chegando-vos para ele, pedra
viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas, para com Deus eleita e
preciosa.” ( 1 Pd 2.4)

B). Ele como Mediador era objeto do
beneplácito de Deus. ( Leia 1 Pd 2.4)

C). Ainda como Mediador ele
foi adornado coma imagem especial de Deus, à qual os crentes devem
conformar-se.

· “Porque os que dantes conheceu, também os
predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que
ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8.29)

D). O
reino em toda a sua glória foram ordenados a Ele, para que ele os passe
aos crentes.

· “E assim como meu Pai me conferiu domínio,
eu vo-lo confiro a vós.” ( Lc 22.29)
extraido blog conversa teológica

PREDESTINAÇÃO 2 (Por Pr. Pedro Rocha)

6 mar

UMA
BREVE EXPOSIÇÃO BÍBLICA DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO(2)

(3). Termos bíblicos para a predestinação – Vamos
considerar os seguintes termos:

3.1. A palavra hebraica “yada” –
Pode significar:
1. “conhecer”
2. “tomar conhecimento” de
alguém ou de alguma coisa.
3. “tomar conhecimento de alguém com
cuidado amoroso,
4. “fazer de alguém objeto de amoroso cuidado ou
de amor eletivo.

Este é o sentido que aparece nos textos a
baixos:
Ø “Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a
seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do
Senhor, para praticarem retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça
vir sobre Abraão o que a respeito dele tem falado.” (Gn 18.19)

Ø
“De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido;
portanto eu vos punirei por todas as vossas iniqüidades.” (Am 3.2)

Ø
“Eu te conheci no deserto, em terra muito seca.” (Os 13.5)

3.2.
As palavras gregas “ proginoskein” e “prognosis” – O sentido destas
palavras no NT não são definidos pelo uso delas no grego clássico, mas
pelo sentido especial de “yada”. Elas não indicam simples previsão ou
presciência intelectual, nem mera obtenção de conhecimento de alguma
coisa de antemão, mas conhecimento seletivo que toma em consideração
alguém favorecendo-o, e o faz objeto de amor, aproxima-se da idéia de
predeterminação. Este é o sentido das passagens a baixo:

Ø
“A este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de
Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos.” (At 2.23)

Ø
“Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho
predeterminaram que se fizesse”. (At 4.28)

Ø “Porque os que
dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de
seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm
8.29)

Ø “Deus não rejeitou ao seu povo que antes conheceu.
Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como ele fala a Deus
contra Israel, dizendo”.(Rm 11.2)

Ø “Eleitos segundo a
presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e
aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam
multiplicadas.” (1 Pd 1.2)

Estas passagens perdem seu
significado, se as palavras forem entendidas apenas no sentido de
conhecer alguém antecipadamente, pois neste sentido Deus conhecem todos
os homens. Este conhecimento prévio inclui a certeza absoluta desse
estado futuro, e por esta razão chega bem perto da idéia da
predestinação. Em I Pedro 1:2 a palavra para "presciência" é a mesma
para "conhecido" no vigésimo versículo do mesmo capítulo, onde o
significado não pode ser "conhecimento" sobre Cristo. O conhecimento de
Deus sobre as pessoas não tem limites, ao passo que Seu conhecimento de
pessoas é limitado aos que são realmente salvos e glorificados.

3.3.
A palavra grega “eklegethai” e “ekloge” – Muitos pensam que esta
palavra incluem a penas a idéia de um chamamento para dado privilégio,
ou a idéia do chamamento para a salvação, mas seu sentido não esgota
nisto. A ênfase destas palavras recai no elemento de:
1. escolha
ou seleção mediante o decreto de Deus, concernente ao destino eterno dos
pecadores;
2. escolha acompanhada por beneplácito;
3.
escolha de Deus de certo número de membros da raça humana colocando-os
numa relação especial com Ele;
4. chamamento para dado
privilégio;
5. chamamento para a salvação;
6. refere-se a
uma eleição anterior e eterna.

Vejamos os textos a baixo:

Ø
“(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem
ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse
firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”. (Rm 9.11)

Ø
“Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente
segundo a eleição da graça.” ( Rm 11.5)

Ø “Como também nos
elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor”. (Ef 1.4)

Ø “Mas nós
devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor,
porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do
espírito e a fé na verdade.” ( 2 Ts 2.13)

3.4. As palavras
gregas “proorizein” e “proorismos” – Estas palavras se referem à
predestinação incondicional, ou absoluta. Elas se referem a
predeterminação do homem para certo fim, e de acordo com a bíblia, o fim
pode ser bom ou mau (veja At 4.28; Ef 1.5). Contudo , o fim a que se
refere não é necessariamente o fim último, é um fim dentro do tempo, o
qual por sua vez, é um meio para o fim último. Vejamos os textos a
baixo:

Ø “Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho
predeterminaram que se fizesse”. (At 4.28)

Ø “Porque os que
dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de
seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.
(Rm 8.29)

Ø “Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério,
que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa
glória.” ( 1 Co 2.7)

Ø “E nos predestinou para sermos filhos
de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua
vontade…nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido
predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas
segundo o conselho da sua vontade.” (Ef 1.5,11)

3.5. As palavras
gregas “protithenai” e “prothesis” – A idéia nestes vocábulos é que Deus
põe diante de si um plano definido. Refere-se ao propósito de Deus, de
predestinar certos homens para a salvação. Estas palavras aparecem nos
textos a baixos:

Ø “Porque os que dantes conheceu,
também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim
de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. (Rm 8.29)

Ø
“(pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou
mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme,
não por causa das obras, mas por aquele que chama)”. (Rm 9.11)

Ø
“fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito, que nele propôs.” (Ef 1.9)

Ø “nele, digo, no
qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o
propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua
vontade.”(Ef 1.11)

Ø “Que nos salvou, e chamou com uma santa
vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio
propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos
eternos.” (2 Tm 1.9)
(extraido do blog http://conversateologica.blogspot.com/ )

PREDESTINAÇÃO (1) (Pr. Pedro Rocha)

1 mar

UMA
BREVE EXPOSIÇÃO BÍBLICA DA DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO(1)

O trabalho que se segue é apenas um pequeno degrau para aqueles que
desejam ter uma breve introdução sobre esta doutrina tão temerosa em
nosso meio. Quase não se menciona nem a palavra nem a doutrina da
predestinação em nossas igrejas. Uns porque acham isso doutrina de
Presbiterianos, e nós, afinal somos batistas; outros por entender que
esta doutrina e por demais misteriosa ou controvertida, que só produzirá
confusão nas mentes dos crentes. E outros porque tem preconceito, ou
não desejam ler a Bíblia sobre este tema. A mim, isso me parece um
grande desperdício. Não conhecer esta doutrina é não ouvir aqueles
segredos que Deus conta para os mais “chegados”, não que eu seja tão
‘chegado’ e vocês a redil, nada disso. Mas me definiria neste ponto como
um “esforçado”, para provar deste néctar maravilhoso das Escrituras.
Espero poder contribuir ao menos para despertar algumas dúvidas em meus
leitores e/ou ouvintes, e quem sabe uma boa e calorosa discussão
teológica em nosso meio.
O título deste trabalho é modesto, como
modesta é a apresentação: “Uma breve exposição bíblica da doutrina da
predestinação”. Não aprofundo na discussão teológica, desejo apenas
apresentar a Bíblia e o que ela ensina sobre o assunto. Primeiramente
precisamos certificar que esta doutrina está na Bíblia, uma vez
fundamentada nas Escrituras, poderemos discutí-la nos termos da
teologia.
A doutrina da predestinação faz parte dos decretos de Deus.
Por isso é que as vezes na Teologia a palavra “predestinação” é
empregada como sinônimo da palavra geral “decreto”. Quando passamos a
tratar estritamente de predestinação, continuamos tratando dos decretos,
porém, passamos do geral para o particular.

(1). Definição: 1.
“decreto”. Neste caso vale ressaltar que a doutrina da predestinação faz
parte dos decretos de Deus. Por isso é que as vezes na Teologia a
palavra “predestinação” é empregada como sinônimo da palavra geral
“decreto”. Quando passamos a tratar estritamente de predestinação,
continuamos tratando dos decretos, porém, passamos do geral para o
particular.
2. “O propósito de Deus com
respeito a todas as Suas criaturas morais”
3.
“O conselho de Deus concernente aos homens decaídos, incluindo a eleição
soberana de uns e a justa reprovação dos restantes”

4. “Determinar previamente as fronteiras, predestinar”

(2).
A doutrina da predestinação na história: Até os dias de Agostinho a
doutrina da predestinação não era um assunto considerado importante na
discussão teológica.

2.1. Os primeiros pais da igreja falam dela,
porém faz-nos pensar que não tinham uma concepção clara do assunto. E
eles a consideram como sendo a presciência de Deus com referência aos
atos dos homens, baseado no qual Deus determina o destino futuro do
homem.

2.2. Pelágio, não admitia uma predestinação absoluta, mas
uma predestinação condicional, baseada na presciência de Deus sobre os
atos dos homens.

2.3. Agostinho, a princípio pensava na
predestinação condicional, porém uma reflexão mais profunda sobre o
caráter soberano de Deus levou-o a ver que a predestinação não dependia
da presciência de Deus sobre os atos humanos. Contudo ensinava a dupla
predestinação: para a vida e para a morte. A primeira é um ato puramente
soberano de Deus, neste caso os eleitos são objetos da predestinação,
ao passo que a predestinação para a morte ela é judicial e leva em conta
o pecado do homem, e os reprovados são os objetos da presciência.

2.4.
Os semipelagianos, embora admitindo a necessidade da graça divina para a
salvação, reafirmaram a doutrina da predestinação baseada na
presciência.. Silenciaram a voz dos agostinianos e passaram a dominar
principalmente entre os líderes da igreja.

2.5. A Igreja Católica
Romana admitia a doutrina da predestinação, porém seus mestres
sustentavam que Deus queria a salvação de todos os homens, e não apenas
dos eleitos. De um lado temos Tomás de Aquino movendo-se na direção do
agostinianismo e Molina, seguindo em direção do semipelagianismo.
Todavia, Tomás de Aquino não podia desenvolver esta doutrina livremente
como fator determinativo em sua teologia.

2.6. No início Lutero e
Melanchton aceitava a doutrina da predestinação, mas a convicção que
Deus queria que todos os homens fossem salvos levou a enfraquecer a
doutrina da predestinação na teologia luterana, passando a adotar uma
predestinação condicional.

2.7. Calvino sustentou firmemente a
doutrina agostiniana da predestinação, como sendo dupla e absoluta..
Dava ênfase ao fato de que o decreto concernente à entrada do pecado no
mundo foi um decreto permissivo, e que o decreto de reprovação foi
elaborado de maneira que Deus não seja apontado como o autor do pecado,
nem responsável por este de modo nenhum. Todas as confissões reformadas
(calvinistas) incorporam esta doutrina.

2.8. Os arminianos
investiram contra esta doutrina, suplantando-a pela doutrina da
predestinação condicional.

2.9. Schleiermacher, o pai do
liberalismo, deu uma formulação inteiramente diversa para a doutrina da
predestinação. A religião para ele era um sentimento de dependência
absoluta da causalidade própria da ordem natural, que predeterminam
todas as decisões e ações humanas, e a predestinação foi identificada
com esta predeterminação feita pela natureza ou pela conexão causal que
há no universo.

2.10. Na teologia moderna a doutrina da
predestinação não encontra apoio real. Ela é ora rejeitada, ora alterada
de tal forma que fica irreconhecível. Uns a chamam de determinismo,
outros a apresenta como uma predestinação de todos os homens a se
conformarem à imagem de Cristo. Para outros ela se reduz a certos
privilégios ou ofícios.

2.11. Karl Barth, dirigiu sua atenção à
doutrina da predestinação, mas sua elaboração está longe do pensamento
de Agostinho e Calvino. Ele se faz ouvir em concordância com os
reformadores no que diz respeito a soberana liberdade de Deus em sua
eleição, revelação, vocação, e assim por diante. Mas não ensina a
predestinação como uma predeterminada separação entre os homens, e
descarta o conceito de uma eleição particular. Ele entende que o homem
por ser pecador, está reprovado diante de Deus, mas por causa de Cristo
ele é escolhido, ou seja do lado humano o homem é sempre reprovado, mas,
visto do lado divino, é sempre eleito. 

A GRAÇA DE DEUS COMO ATO E EVENTO (por Pr. Pedro Rocha)

23 fev

A
GRAÇA DE DEUS COMO ATO E EVENTO*

1. DISCUTINDO O MAL ENTENDIMENTO SOBRE A GRAÇA E A IRA DE DEUS

A).
A graça de Deus não é sua qualidade, não sua mentalidade válida
atemporalmente, e o Evangelho não traz o esclarecimento sobre a essência
de Deus desconhecida até agora;

B). Nem tão pouco devemos
entender que antes da graça, Deus tivesse sido imaginado erroneamente
como irado e que, agora deveria ser concebido como um Deus
misericordioso.

C). Pelo contrário, a ira de Deus se revela, hoje
como dantes, sobre toda impiedade e injustiça humana (Rm 1.18). A
pessoa que não se arrepende é advertida (Rm 2.5,8). Pois justamente
fazem parte de Deus, a fidelidade, a veracidade e a justiça, fazer
sobrevir a ira (Rm 3.3-6).

D). Deus permanece o juiz, e a fé
cristã na graça não consiste da convicção de que não existe ira de Deus,
e que não está nos esperando ameaçadoramente um juízo (2 Co 5.10), e
sim na convicção de ser salvo da ira de Deus (Rm 5.9; 1 Ts 1.10; 5.9)

2.
A IRA DE DEUS COMO UM EVENTO

A). Existe uma concepção errada
sobre a ira de Deus, que se baseia na falsa concepção de que a ira de
Deus seria uma propriedade, um afeto, uma mentalidade irada.

B).
Na verdade a ira de Deus designa um evento, a saber o juízo de Deus.
Exemplos:

· Quando se fala da ira de Deus (Rm 1.18), não
se está falando de uma comunicação instrutiva, e sim está sendo dito que
ela se torna efetiva.
· Quando em Rm 1.18-32 é descrita a
ira de Deus, ela é apresentada como aquilo que já acontece de fato no
mundo gentílico. Neste texto vemos:
a). O estar entregue aos desejos
do coração (v. 24);
b). Ás paixões desonrosas (v.26);
c). Ao
entendimento reprovável (v.28)

C). O dia da ira é o dia da
revelação do justo juízo de Deus, do juízo que se há de realizar um dia
(Rm 2.5). Na maioria dos casos se pensa em juízo vindouro (Rm 9.22), não
obstante Rm 13.4, fala do juízo que se realiza permanentemente, através
do governo do Estado, e quando os cristão é admoestado à obediência
cidadã não somente por causa da ira, mas também por causa do julgamento
divino (Rm 2.5).

3. A GRAÇA DE DEUS COMO UM ATO

A). A
graça de Deus, não é uma maneira de proceder, para a qual Deus se
decidiu agora, e sim um ato único que se torna ativo para todo aquele
que a conhece como tal e a reconhece na fé.

B). A graça de Deus é
o ato clemente, pela qual os seres humanos são justificados (Rm 3.24);

C).
Este ato consiste no fato de que Deus entregou Cristo à morte, e isso
como sacrifício expiatório pelos pecados dos seres humanos (Rm 8.22).

D).
O evento da graça consiste portanto,

· na ação de Deus,
que “entregou” seu Filho “por nós” (Rm 8.22),
· na
“obediência” do filho, que “se entregou po mim” (Gl 2.20), e foi
“obediente até a morte” (Fp 2.8).
E). Assim como a queda de Adão
trouxe a morte para os seres humanos, assim o evento da obediência de
Cristo trouxe a vida, e a graça consiste justamente neste evento, que,
na medida em que vem em benefício dos seres humanos, também pode ser
chamada de dom da graça (Rm 5.15)

F). Podemos acentuar neste
evento da graça, ora o ato de Deus ou de ora o ato de Cristo, desde que
compreendemos que se trata do mesmo ato, do mesmo presente. Vejamos:

·
2 Co 6.1: “a graça de Deus” – Paulo está falando do ato de
Deus, que é ao mesmo tempo ato de Cristo, como era descrito em 2 Co
5.14;
· 1 Co 2.12: “as coisas que Deus nos tem dado
gratuitamente” – Paulo designa a ação salvífica de Deus, ele lembra o
acontecimento salvífico como o feito de Cristo em 2 Co 8.9, no que,
naturalmente, tem em mente tudo o que é dito em Fp 2.6-8
· Gl
2.21: “Não anulo a graça de Deus” – Paulo mostra que o ato da graça de
Deus consiste justamente no feito de Cristo descrito em Gl 2.20 “que me
amou e se entregou por mim”.

4. A GRAÇA DE DEUS COMO UM EVENTO
ESCATOLÓGICO E COMO UM PODER QUE SE OPÕE AO PODER DO PECADO

A).
Como evento escatológico decisivo, este ato, como o qual irrompeu o
tempo salvífico (2 Co 6.1);

B). Como um poder que se opõe ao
poder do pecado e que substitui seu regime (Rm 5.20)

C). O
sentido da graça aproxima-se quase do sentido de Espírito. E por isso
também a nova situação para a qual foram transportados os crentes que
receberam o “pneuma” (Gl 4.6), pode ser designada como graça, como a
esfera de domínio do ato divino. Neste sentido:

· O
crente é “chamado para a graça” (Gl 1.6);
· E nela adquiriu
seu “status” (Rm 5.2);

D). Paulo entendia a graça como um atuar
ou agir clemente de Deus, que é percebido pelo ser humano como presente,

·
dom do apostolado a ele confiado, pode chamar de graça (Rm 1.5;
12.3; 15.15; 1 Co 3.10; Gl 2.9)
· o agir de Deus nele é pela
graça (Gl 2.8; Rm 15.18);
· a prática do dever do amor
cristão é uma dádiva de Deus (2 Co 8.1,4; 2 Co 9.8);
· dons
especiais que o cristão recebe chama-se dons da graça (Rm 12.6; 1 Co
7.7;
· a poderosa atuação de Deus procede da graça (1 Co
12.6);
· a graça de Deus é que determina a vida do indivíduo (
1 Co 15.10; 2 Co 1.12; 12.9).

5. A GRAÇA E O AMOR DE DEUS

A).
Talvez na expressão “ ágape” haja mais ênfase na mentalidade do amor do
que m graça, mas em todo caso, fala-se do amor contanto que ele se
mostre no ato, no evento (Rm 5.8)

B). “Ágape” também significa
mentalidade de amor, mas fala-se dela na medida em que Deus a
“demonstra”, a saber, pelo fato de ter entregue Cristo à morte por nós,
neste sentido também deve ser entendido Rm 5.5. Por meio do Espírito
Santo se torna certo e efetivo para nós o ato de amor de Deus, que Rm
5.6, havia descrito como ato de Cristo.

C). A pergunta de Rm
8.35: “quem poderá nos separar do amor de Cristo?”, remete ao evento
salvífico da morte e da ressurreição de Cristo, mencionado em Rm 8.34,
como o qual ele se entregou à morte (Rm 8.35; Gl 2.20). E a unidade do
ato de Deus e de Cristo se expressa na locução de que nada nos pode
separar do “amor de Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor”, isto é, da
salvação que Deus realiza por meio de Cristo (Rm 8.39).

*Citação
direta de, BULTMANN, Rudolf – Teologia do Novo Testamento – pg. 353 –
358 – Teológica – 2004